Quinta-feira, 10.05.12
Por entre o silêncio nocturno…
Vem com o vento…
Vem com a chuva…
Roubando os anéis a saturno,
Embriagues de pensamento
Que meu olhar turva.

Em cerco, paira lá no céu
Como abutre faminto,
Como corvo esfaimado…
Sem sentença, sou seu réu.
Fogo extinto…
Rei sem trono, descoroado.

Ataque cirúrgico, encetado com precisão
Dominação efectiva de tudo em mim.
Ruína, massacre, saqueio…
Desintegra-se o coração…
Aproxima-se o fim…
Com a noite veio…
Com a noite veio…
Com a noite veio até mim.


pseudo-poeta às 08:17 | link do post | comentar

A bússola está partida.
Não há estrelas para orientar meu quadrante.
A nau que é minha vida está perdida…
E a tempestade, torna-se mais possante.

Á deriva…
Rumo incerto, objectivo ausente…

Questões pertinentes…
Assolam-me como vagas.
Minto-lhe com todos os dentes,
Com respostas amargas.

Perdido…
Desencontrado…

Que logica tem tudo isto?
Que faço eu neste lugar?
Será o destino… um mal previsto?
É por esta vida que tenho de lutar?

Dissentido…
Devaneado…

Vítima culpada de Adamastor…
De um naufrágio inevitável,
Eu mesmo, Deus de minha dor
Perdido, desencontrado e incurável.


pseudo-poeta às 07:51 | link do post | comentar

Terça-feira, 08.05.12
Súbitos leais, seguidores de sua razão
Escondem a cara em mascaras sem fisionomia.
Ordens de sua boca elevadas a religião,
Indivíduos sem alma presos em sua tirania.

Por entre malícia criada…
E criadora de malícia…
Temida ou venerada,
A mal do chicote a bem da carícia…

Dissimulados enganos, armas de seu arsenal.
A verdade invertida, tornada em mentira,
Seu recreio pessoal.

Imperatriz, monarca, soberana… absoluta…
Ofereces como quem tira…
Nunca me terás como teu recruta.


pseudo-poeta às 21:43 | link do post | comentar

Quinta-feira, 03.05.12

Os olhos abrem-se a muito custo,

Os ossos estalam, como se fossem quebrar.

E acordo, num mundo pulcro de injusto.

Ainda dormente, sem raciocinar.

 

Relutante e pouco decidido…

Ergo meu físico cansado de tanto descanso.

Pareço um bicho enfurecido,

Após eternidades, sendo manso.

 

Tédio e mais tédio, em doses mortais…

A cabeça fervilha em agonia.

Masturbação mental de desejos banais

No vasto pranto da ironia.



pseudo-poeta às 01:13 | link do post | comentar

Estou aqui…

Vivendo o presente.

Relembrando o que já é passado,

Antevendo, temendo o futuro.

 

O infame momento presente

Que a meus olhos se desenrola…

Lembranças de um passado omnipresente,

E um futuro que desconsola.

 

Temendo a viagem inevitável de fazer,

Por entre o mar da vida comum.

Rabiscando o diário que não quero escrever

Por dias adversos de jejum.

 

A teimosia dos ponteiros

(ausentes no relógio digital)

São “tic-tacs”… sons de morteiros

Carrascos de meu mal.

 

Galopam em círculos perfeitos.

Fazendo do passado, passado.

Guilhotinas onde meus sonhos jazem desfeitos

E o presente é amaldiçoado.

 

Passado, presente, futuro…

Qual deles o pior?



pseudo-poeta às 00:27 | link do post | comentar

Quarta-feira, 02.05.12

Lá longe… onde tu estas

E onde eu nunca poderei ir,

Se esconde um mundo de alegria e paz.

Utopia, quimera… me impossível de atingir.

 

Nunca vi esse ambicionado lugar…

Jamais em minha vida me foi permitido o ver.

Corro em demanda para o alcançar,

O destino é certo, não vou vencer.

 

Existem mais que portões

A proteger esse encantado recanto.

São mil e uma aversões

E o poder sórdido do desencanto.

 

Vejo-me então… as voltas na distância…

Convalescendo na Impossibilidade.

Discordo de minha própria discordância,

Torturado pela saudade.



pseudo-poeta às 23:54 | link do post | comentar

Sexta-feira, 20.04.12

Rebenta de uma vez…

Ou coisa deteriorada presa no meu pescoço.

Estoira com rapidez…

Implode sem fazer grande alvoroço.

 

Culpo-te de toda a minha tristeza,

Responsabilizo-te por todo este mal-estar.

Tens uma mania de grandeza,

Sê grande de vez! E espalha-te pelo ar…

 

Cabeça minha, composta de imperfeição,

Infeliz acaso de minha pobre genética,

Enceta um acto de rendição,

E revolta-te de forma patética,

Contra esta tirana condição.

 

E não faças apelos á demência,

Arde simplesmente na tua banalidade.

Não há actos de benevolência,

Para quem não é louco ou não tem genialidade.



pseudo-poeta às 03:51 | link do post | comentar

Olho agora, para dentro de mim…

Vendo a dor pelos meus poros a escapar.

Encurvo o corpo em sofrimento,

Finjo que não dói… nada vai mudar.

 

A memória arrasta até mim, memórias

Os traços de meu rosto enrijem-se,

No descobrir de minhas ideias contraditórias,

E as vontades não tidas perdem-se.

 

E olho á minha volta,

Finjo não doer…

Subtraio a revolta,

Deixo meu corpo ir, e se perder.

 

Autoflagelo recorrente, e diário…

Corpo ferido, pensar fatalista,

A descrença marcada na minha cara de ótario,

A vida amaldiçoada de um pessimista.

 

Mas não te preocupes vida…

Eu finjo que não dói…

Não te apoquentes mundo…

Eu finjo que não dói…

 

E fingirei sempre não doer…

Ficarei para aqui sentado sem nada ter.



pseudo-poeta às 03:47 | link do post | comentar

Vivendo de mim,

Alimentando-se do que sou.

Um ser ruim,

Que há muito me tomou.

 

O meu pior inimigo… sou, eu…

Carrego-me a mim mesmo, sem perdão…

Roubando de mim, o que é meu.

Culpado de ser eu, ser eu, um ladrão.

 

Contra mim prevarico,

Sem mostrar pena de minha consciência.

De tudo o quanto sou abdico,

Em mais um acto de extrema decadência.

 

Não me tomo por louco…

Antes fosse esse o caso,

De mim já resta pouco,

Bem como do poema onde me arraso.



pseudo-poeta às 03:43 | link do post | comentar

Sábado, 10.03.12

Exíguo horizonte, o qual meu olhar abrange

Imensidão de falta, vastidão de não ter.

Solidão que avança em falange,

Pelos campos incinerados de meu ser.

 

Estrelas, astros mortos, sem brilho

Despovoam a chama de meu firmamento.

Sigo lacaio, andarilho…

De costas voltadas ao vento.

 

Pesa o corpo e a bagagem,

Pesam-me os problemas e as soluções,

Se iludem os olhos com a miragem,

Tocam em alarme os carrilhões.

 

O cansaço constrói em mim cisternas

Onde a fadiga se acumula.

Minhas incompreensões são eternas,

E meu ser deambula.



pseudo-poeta às 23:19 | link do post | comentar

Quarta-feira, 07.03.12

Não quero ser injusto, e não te dar uma explicação para nunca te vir a ter, por
isso, neste dia de sol, sem calor, onde me afundo na miséria de ser tudo o que
sou, escrevo-te esta carta.

Acredito ser indevido trazer um ser a este mundo, nem é pelo simples facto de eu próprio
o odiar, mas por ter a certeza que a tua vinda a este mundo, só te iria trazer
sofrimento, e como quero acreditar que te amaria incondicionalmente, seria mau
da minha parte expor-te a isso.

Quem mais que leia isto, vai pensar que sou estúpido, ou coisa pior… no entanto,
acredito piamente, naquilo que aqui escrevo.

Não quero que sintas o que eu sinto, que desanimes como eu, a cada dia que passa
lento… trazendo consigo um pouco mais de inconformismo, e de raiva apática desmedida.
Tenho a certeza que sendo meu, verias o mundo tal qual eu o vejo, verias nele
todos episódios que me atormentam o raciocínio, que me fustigam a integridade física
e mental…que me arrancam as vísceras, enquanto me esperneio vigorosamente…

Não me aches invejoso… estou a pensar em ti, ao não te querer.

Se a tua existência fosse uma realidade, tenho a certeza que me ias dar toda a razão,
e agradecer-me o facto de não existires…

Porem, cai em mim um pensamento que não é bem um arrependimento, mas perto disso se
torna, porque nem tudo é mau… nunca iras ter a oportunidade de conhecer as “pessoas”…
as pessoas que emprestam um tom de cor a este mundo tão negro onde definho,
essas pessoas que tornam isto suportável, que fazem avançar o meu corpo combalido,
e me fazem acreditar, que nem tudo é péssimo.

Mas não existindo não terás isso como preocupação, não existindo poupar-te-ás ao
sofrimento, mas também á alegria que por aqui passa de fugida…

 

Não existindo, serás o filho que nunca terei…  



pseudo-poeta às 16:34 | link do post | comentar

Segunda-feira, 05.03.12

 

A tradicional, habitual, rotineira

Forma de sentir do meu ser.

Faz minha existência prisioneira,

E de meu corpo puta de aluguer.

 

Tremem as mãos, em dias tão banais…

Num desvanecimento acentuado,

De minhas faculdades mentais.

E a busca procede sem resultado….

 

Denoto em mim, algo parecido

A uma extrema desconsolação.

Encontro-me tantas vezes perdido

Ao ver em tudo, um nada para a salvação.

 

Avançam-me teorias…

Dizem-me para lutar…

Eu sou deus das apatias.

Não se cansem em me ajudar.

 

Avanço, retrocedendo a cada passo

Para a inevitável conclusão de tudo isto.

Lembrando, esquecendo a merda que faço,

Na cabeça, como um registo.



pseudo-poeta às 02:30 | link do post | comentar

Quinta-feira, 01.03.12

Seiva brotada do tédio da vida,

Eu preso em suspensão.

Aprisionado na seiva corrida…

Insecto merdoso, sem salvação.

Se um dia a alma não se dá por vencida,

Não me solto do tédio, mas estatelo-me no chão…

 

Tenho a vontade toda corroída,

Pelo âmbar de minha frustração.

Não sendo ideia descabida,

Que isto é apenas solidão,

Envergo por nova descida

Ao profundo de minha prisão.



pseudo-poeta às 10:04 | link do post | comentar

Deixa-me te dizer…

Tudo aquilo que por mim já foi dito,

Reafirmar, sem me contradizer,

Tudo aquilo em que acredito.

 

Nada disto se dá á simplicidade,

É por vezes complexo e extenuante.

Arde como a insanidade,

Não deixando de ser revigorante.

 

Tem toda a força do universo como motor.

Dá-me risos, felicidade, e alegria.

Contando com imensos dias de dor

Onde me esvaio em agonia.

 

Contra-senso anedótico, este sentimento

Que me consome devagar…

Ergue-me de rompante, violento

Para eu me deixar tombar.

 

Nesta equação, fico sem perceber

Quem afinal é o parasita…

Se este é o sentimento que me faz viver,

Ou se sou só eu que o acredita.

 

Mas deixa-me te dizer…

Assim… em jeito de confissão…

Era tão mais fácil perecer

Se não tivesses morada em meu coração.



pseudo-poeta às 10:00 | link do post | comentar

No calor, repleto de frio desta madrugada

Chega-me a insónia, pejada de pensamentos.

Veio, como sempre, acompanhada

De chá, e cigarros que ardem lentos.

 

No chá dissolvo a força bruta de pensar,

Nos cigarros queimo as frustrações.

É-me tão difícil dormir ou descansar,

Quando em meu cérebro ocorrem mutilações.

 

Amanha…daqui a pouco… erguer-se-á um novo dia.

Um novo conjunto de acontecimentos recorrentes,

Alimentados pelo tédio, e pela monotonia.

E os cigarros serão cinza, depois de ardentes…

E a caneca de chá cheia, estará vazia…



pseudo-poeta às 09:21 | link do post | comentar

Quarta-feira, 22.02.12

Era noite tardia quando voltou.

Trazendo consigo uma ânsia descomunal.

Pelas mãos do homem pequeno brotou,

Tal qual raio que desce do céu em diagonal.

 

Senti-a em todo o meu ser…

E dei-me sem repulsa á sua vontade.

Ela é o que podeis aqui ler,

Nascida num impulso de insanidade.

 

Nem o nexo trouxe consigo,

Ou por palavras elegantes se fez acompanhar.

Simplesmente desceu comigo,

Ao fundo do fosso onde ninguém quer entrar.

 

Premiu botões, e mexeu alavancas,

Sem eu, o ter percebido…

 De meu cofre abriu todas as trancas,

E agora escrevo possuído.

 

Regressou, ao partir de alguém,

A inspiração ou algo semelhante.

E agora escrevo nada, para ninguém,

Ao pulsar de uma luz pulsante.



pseudo-poeta às 22:42 | link do post | comentar

Tu, que um dia foste mais do que eu.

Tu, que eras tu, e tão pouco de mim.

Parte viva de mim, que morreu,

Rastilho fumegante que ardeu em carmim.

 

Tu figura, focada no pensamento…

Tu que sentias e sofrias, chicoteando-te na poesia.

Tu que não fugias do sofrimento,

Fazendo da humanidade tua heresia.

 

Ser poeta, que te perdias em devaneios,

Escrevendo o que sentias e o que não tinhas.

Com a força dos poemas alheios

Transportavas tua alma em suas linhas.

 

Criatura peculiar,

Criadora de novas razões

Vias o mundo com outro olhar

No ímpeto vertiginoso de tuas paixões.

 

Não te sinto agora em meu interior,

E ficam as folhas brancas e a caneta a descansar.

Na espera pela inspiração de um ser inferior

Que lhes dê uso, e as ouse profanar.

 



pseudo-poeta às 22:40 | link do post | comentar

Fome…

- Sim! Realmente, fome é o que sinto!

 

Ronca o estômago em manifestação

E a cabeça, parece mais que vazia.

E nada do que como me dá satisfação,

Sendo o nada que como me dar azia.

 

Devoro com os olhos, o prato á minha frente…

Mas com os olhos apenas! A boca permanece fechada.

Sempre um sabor fel, indiferente.

E a barriga e alma cheia de tanto nada.

 

Não fosse esta fome que me assola,

Esta recusa em comer

Que eu daria tudo como esmola,

A quem tem fome de viver.



pseudo-poeta às 22:39 | link do post | comentar

O meu desejo,

Suplanta qualquer razão,

E quanto mais não te vejo

Mais me dou á inflamação.

 

Vagueio, inquieto, sem destino.

Com a alma empalada,

Habitando um corpo clandestino

Ao qual a vida foi tirada.

 

E queria por tudo, que isto fosse um lamento

Um acto de repulsa, e emancipação.

Mas se há coisa que não tento,

É escorraçar-te do meu coração.

 

Dite o destino, o que bem entender…

Venham dias de dor, e noites de sofrimento…

Venha tudo, e quem mais vier…

A isto nunca vou chamar arrependimento.



pseudo-poeta às 22:05 | link do post | comentar

Terça-feira, 31.01.12

Nasci… de forma natural…

Em dia de… vendaval.

Nasci… digamos que… enforcado,

Com o cordão umbilical ao pescoço enrolado.

 

E hoje, como sempre tento perceber,

Tudo aquilo que me rodeia

E protejo-me ao escrever….

Palavras que ninguém leia.

 

A noite segue, decorrendo lentamente…

O sono… ou algo semelhante,

Beijou-me á pouco levemente.

Á um pouco muito distante…

 

No avanço impetuoso da madrugada

Fustigo-me, autodestruindo o ser que sou.

Meu pensamento não leva a nada,

E quando o sol nascer, só meu corpo sobrou.

 

Perdoem ó gente que algo de bom vê em mim…

(Eu sempre o procurei, sem nunca o ter encontrado.)

Não sendo bruto, sei que não sou ruim.

 

Não me é permitido ter outro pensamento,

Dou de mim o quanto posso dar,

Sem ambição de qualquer pagamento.

 

Sim sou eu! Exemplar único…

Extravasando de meus defeitos…

E ocupado de tão insignificantes virtudes.



pseudo-poeta às 17:31 | link do post | comentar

Sexta-feira, 20.01.12

Inquietude nostálgica, de um outro ser que habitou no domínio que sou eu.

 

Presa num qualquer trecho de luz, perdida irremediavelmente num desconhecido de ausência forçada, no tumulto interno, inquieto da ambição contraditória, e incompreensível de nada desejar ser, se encontra a minha sombra…

A minha alma…

A outra coisa que não sou, ou que nem quero ser.

 

Ser humano perfeitamente normal, dentro da anormalidade inerente á normalidade humana, prospectando os dias e a vida, e a vida e os dias, na busca por algo superior, por algo maior… descobridor de mundos conhecidos, domador de feras afáveis, assim vejo a outra coisa que sou, sem ser a minha sombra…

 

Gozo a cru dos sentidos e dos sentimentos, sinto-os em mim, como ferros em brasa, usados por um qualquer torturador que inflige dor na busca por uma confissão…

 

E então confesso…!

 

Guia-me a percepção, (ou tentativa de tal) do nexo, do propósito, da razão, do sentido…

Tentativa vã, absolutamente falhada…

 

Dias sem sol, ou luz artificial, onde a sombra para sempre se escondeu, desaparecendo na realidade, abandonando o fantástico mas irreal império dos sonhos e das utopias.

Perdi minha sombra, minha alma, e nem atrás voltei para a procurar, não lhe estendi meu diminuto braço para a agarrar, e a queda e o desaparecimento deu-se como um acto inevitável, de consequências que suplantam, qualquer nexo, propósito, razão ou sentido… e eu, estou tal qual ela, perdido… tal qual ela, imaterializado, mesmo sendo composto de matéria. Mesmo tendo, e sendo humanidade… a antítese perfeita do que é (era) minha sombra…



pseudo-poeta às 00:11 | link do post | comentar

Terça-feira, 17.01.12

O fim do mundo é hoje ou amanha…

Principio, do fim, dos tempos, inicio de todos os tormentos.

(Pensamento nocturno na madrugada vã,

E o armagedão em meus alheamentos.)

 

Premonições sem sentido o dão como certo.

Não há discordância, o mundo vai acabar…

Mas enquanto eu viver sobre este tecto…

Irei morrer e o mundo ira ficar.

 

E perdoem minha insolência…

Mas no caso rebuscado de tal acontecimento

Avisem com antecedência,

Para eu ser dono de meu definhamento.

 

Na hipotética hipótese de tal calamidade,

Rasguem os tratados e regras de boa educação…

- Rogo-vos, deixem de ser humanidade,

E festejem vossa extinção.

 

O mundo pode arder em chamas,

E a terra por si própria rebentar.

Que tu Homem, vais esquecer quem dizes que amas,

Na busca da salvação, que não te vai salvar.

 

A contagem decrescente há muito iniciada…

 

10— 9— 8— 7— 6— 5— 4— 3— 2— 1— ZERO

 

 … Vácuo; vazio; escuro; negro… o fundo, de todos os fundos…

 

…NADA…



pseudo-poeta às 19:26 | link do post | comentar

Terça-feira, 03.01.12

Deixa-me dormir e fingir que o sonho não acabou.

Deixa-me dormir e fingir que é real o sonho que meu ser sonhou.

 

O meu sonho, tem o teu riso,

O teu cheiro, o som da tua voz…

Têm tudo o que quero e preciso,

E por fim, em meu sonho, ficamos só nós.

 

Nunca o real, será um sonho meu…

Nunca a vida e o mundo me darão

Por presente o que o sonho me deu.

 

Fui feliz em meu sonho, obra, de meu subconsciente

Andei, corri, saltei, vivi…

E quando acordo… acordo doente.

Vendo que o real, não é o sonho que concebi.

 

Teimo na escrita, descritiva dos meus sonhos, sonhados

Talvez porque queira tanto a sua realização.

Mas sim, eu sei! Jamais serão realizados.

E todas as preces são em vão.



pseudo-poeta às 23:11 | link do post | comentar

Envolto no silencio abstracto de minha consumada solidão,

Parto em renovada divagação…

Ateio fogos. Centelhas de luz, na minha razão…

Faróis, de cor berrante, de minha consternação.

 

Disponho-me sobre o sofá,

Contemplando a teia de aranha presa no candeeiro,

Talvez devesse “limpar” o candeeiro, e destruir a armadilha mortal executada

Pela aranha que nenhum mal me fez…

Não sentindo, a aranha não me ia levar mal, não me insultaria, não…

 

- Não interessa… não vou destruir a teia de aranha que por cima de mim caprichosamente ganhou forma.

- Vou deixa-la existir…

 

Existir, como eu, existo…

Por certo não me ia agradar a ideia de um outro ser, que pela simples razão de eu ser inferior a si, se levanta-se de seu cadeirão e me destruísse a armadilha que eu construí para me alimentar.

 

Todas as acções têm consequências, todos os nossos actos levam a algo…

As palavras ditas… as palavras que não foram ditas… cunham complexamente a existência de nós, seres…

 

……………………………………………………………………………………

 

Esquecendo isso…

 

Mas só isso, porque não me é possível esquecer tudo…

Porque a memória é uma consequência das minhas acções, um lembrete que se acorrenta á complexa e incompreensível “razão” de meu ser…

Fazendo de mim o que sou, fazendo de ti, o que és para mim, fazendo de vós o que sois para mim, fazendo do mundo aquilo que não é para mim.

 

Se, por um acto de magia pura, as lembranças, as recordações, que tenho dentro de mim fossem de um outro alguém, existiria a possibilidade inequívoca de um recomeço, de um nascer de novo, de criar novas ambições e novos sonhos, para depois, e logo depois, os voltar de novo a perder. Para voltarem de novo a ser consequências de minhas acções, lembranças de meus sonhos não realizados…desmantelados… como as ruínas de algo grande… como prova irrefutável de nada…

 

Descolo em rodopio, para um outro lugar…

Que não este onde teimo em me deitar,

Disparo o projéctil, de meu divagar…

Na certeza macabra de ter de voltar.

 

Da divagação incoerente, faço meu reino… um reino onde tudo acabo por dissecar.

 

Estou agora a dissecar todos os sentimentos que tenho dentro de mim, toda esta angústia, toda esta dor, todo este amor…

Impávido e sereno, na divergência absoluta e resoluta do pensamento, encontrei-me perdido em tudo o que sinto…

A angústia e a dor, são de mim personificação,

E todo este amor…as vezes penso ser vão.

 

Mas tudo é vão…

Tudo é inutilmente, inútil… com a excepção é claro da teia de aranha, para a própria aranha.

 

Se eu ao menos tivesse a minha própria teia…



pseudo-poeta às 23:07 | link do post | comentar

Segunda-feira, 02.01.12

Como seres dotados de inteligência e de razão,

Inventamos forma de contabilizar o “tempo”.

De seccionar, dividir e limitar a sua imensidão.

… Contempla-mos relógios como passatempo.

 

O calendário por estes dias, dá o ano como terminado.

E sentado na cadeira faço minha retrospectiva,

Pensamentos deste ano que é passado,

Lembranças de mim, de meu ser… desta coisa viva.

 

Oscilei na corda bamba, disposta sobre o abismo…

Lutei por não cair… mas caí no vórtice de minha dor.

Me deixei ir e ficar, na compaixão bélica de meu fatalismo

Destruindo-me a mim mesmo, sem réstias de rancor.

 

Nos 365 dias que agora são nada mais que passado,

Senti frio e calor, alegria e amargura, ri e chorei…

E de todos os dias, há um por mim sempre lembrado,

Lembro-o com o remorso, de saber que errei.

 

E agora apressa-se a entrada de um novo ano,

Onde nada espero, onde nada ambiciono alcançar…

Sim, mais 365 dias contabilizados em dano…

 E onde a corda bamba vai sempre oscilar…



pseudo-poeta às 18:02 | link do post | comentar

Terça-feira, 27.12.11

O frio corta

A luz da noite nada exorta,

Ergo-me. Saio… fecho a porta.

 

Olho o céu nocturno, cativante,

Tomba-se em mim o brilho estrelar de rompante.

E invejo a estrela que brilha menos, por ser tão brilhante…

Invejo-a por estar ali… tão distante.

 

Brilham todas, por cima de toda a tristeza

São servas da sua própria beleza,

Humildes centelhas de realeza,

Testemunhas de minha pobreza.



pseudo-poeta às 18:00 | link do post | comentar

Segunda-feira, 19.12.11

Neste acto supremo de divagar dentro de mim, de me fugir e de me encontrar, em todos os meus pensamentos e na consternação errática de minhas acções…

Veio esta súbita vontade de escrever e divagar, ou de divagar e depois escrever sobre a divagação feita.

 

Ladeado por estas paredes, que aturam tudo aquilo que sou…

Violando a folha pura e branca de papel reciclado, onde a ímpetos faço deslizar a caneta azul, que escreve a azul, e que á azul abre sem rodeios, (como serra craniana, bem aguçada) a minha cabeça, pondo a nu o que vai cá dentro…

 

-Desisto…!

 

-Não me vou envolver em mim mesmo, outra vez…

Basta de autoconhecimento, ou coisa parecida a isso…Basta…

 

- Hoje quero divagar, e escrever sobre…

 

- Sobre a humanidade?

 

- Não, nem pensar, estou farto de a insultar, de lhe tentar dar a minha razão, só que como é próprio da humanidade, ela é humana, e sendo humana, é teimosa e não gosta de ouvir críticas, ou concelhos… e de qualquer forma ia ter por aí uma parte de mim, aquela que se dá ao trabalho de ainda questionar a humanidade…

 

- Vou escrever sobre…

 

- Sobre o quê? Porra…

 

- Sobre a morte e a vida…?

 

- Não… agora essas duas é que não…

 

Uma é o fim da outra, e a outra é coisa nenhuma. E depois lamento-me de uma, não querendo obrigatoriamente a outra… Esqueço-me que estou vivo, sabendo que não estou morto…

 

- Sobre o que então? Sobre é que vai recair esta inspiração que não tenho, ou este jeito que também não possuo de escrever?

 

- O tempo que faz, sempre foi um bom desbloqueador de conversa, mas não… ninguém divaga ou escreve sobre o tempo que faz, e para além disso, tem de se sentir o tempo que faz, para se falar nele. E eu… agora aqui, semi-deitado no sofá, ao calor do aquecedor a óleo, que é movido a energia eléctrica, não sinto o tempo que faz lá fora… logo seria errado da minha parte, escrever sobre aquilo que não sinto.

 

- Tenho sempre a hipótese de escrever e divagar e sonhar e conceber mais sonhos ainda, sobre Ela, sobre a minha musa antiga, e por tudo o que sinto por Ela…

 - Não… também não. Decidi não escrever os meus sentimentos neste texto, e não por nele, parte de mim, e se há parte de mim que não é minha é a parte de mim que é Dela. E tirando isso, tenho imensas saudades Dela, e isto, ia tornar-se num texto lamechas, e isso não quero…

Na possibilidade ínfima que Ela leia isto…

 

……………………………………………………………………………………………

 

- Veio agora a vontade de fumar…

 

-Sobre isso é que não… os cigarros e o fumo e o matar do fumo, já me deu para escrever muitas linhas, mas não é isso que pretendo agora…

 

- Vou fumar, pode ser que a divagação me leve a algum lado, e eu me esqueça de escrever sobre a divagação, e me perca para sempre em divagações, e acorde um dia, e tudo isto faça um mínimo de sentido.

 

E aí talvez as forças conjuntas do universo me digam sobre o que escrever e divagar, e divagar e escrever depois de divagação feita…



pseudo-poeta às 16:43 | link do post | comentar

Sexta-feira, 16.12.11

Todo o meu poema é triste.

Pode até ter ironia, mas é uma ironia triste.

Escrevi um dia um poema que não era triste.

Mas já lá vai tanto tempo, que não sei porque é que não era triste.

 

Parece-me agora, que foi á séculos que escrevi esse poema sem tristeza.

Foi um momento único, que nem percebo como, não tive em mim tristeza.

Eram tempos diferentes… segundos diferentes, mas no meio de tantos poemas é mau só ter um… sem tristeza.

Queria ver a beleza que dizem no mundo existir, e que dá braços á alegria… mas eu, sou tristeza.

 

Pois penso tristemente.

Escrevo ainda mais… e mais tristemente.

Vivo isto que para mim não é vida, tristemente.

E escrevo em vez de “fim” para finalizar este poema triste e carregado de tristeza… TRISTEMENTE.



pseudo-poeta às 16:42 | link do post | comentar

Quinta-feira, 15.12.11

O desinfectante corrosivo enche as narinas dos presentes…

 

Sobre a mesa de aço inoxidável, um corpo imóvel, já sem cor, descansa solenemente.

Tinha tido vida, numa outra vida, e agora somente a morte, nada mais que a forçosa morte, abraçava aquele corpo.

 

Como abutre faminto o médico legista lança-se sobre corpo, do fatalmente morto, o bisturi rasga a pele, até á carne… um olhar metódico analisa o corpo centímetro a centímetro.

 

Ainda ontem, aquele, que repousa agora para sempre, era homem comum…

Tinha sonhos como eu, tinha aspirações a um futuro como eu, ria, sofria, amava, odiava… como eu! E agora, nada…

 

Após análise, profunda, detalhada, minuciosa… para grande espanto do médico, não tinha sido encontrada qualquer causa para a morte de aquele ser…

A morte sempre teve causas, mas nunca razões, e esta nem causa tinha…

Debruçados sobre a última cama de qualquer ser, especulações germinadas eram lançadas ao ar, pelos homens de bata branca que ladeavam o cadáver.

 

Mas não havia causas para a morte daquele humano ali estendido.

Mas que interessa? Estava morto…

Ninguém sabia quem era…

O que fazia…

Para onde ia…

Não interessa, não importa.

 

A importância de um homem sem nome é nenhuma, o valor que teve ou deixo de ter em vida não interessa, não importa realmente nada.

Não somos mais que a insignificância absoluta, e a morte é a verdadeira, e derradeira prova disso mesmo.

 

O corpo do desconhecido foi amortalhado, posto com desdém no interior vácuo da câmara frigorifica…

 

Dois dias volvidos e não havia familiares, amigos, conhecidos ou desconhecidos vestidos de negro em volta do caixão, ninguém o chorava, ninguém, o lembrava…

 

Triste e insignificante vida humana.



pseudo-poeta às 20:14 | link do post | comentar

Quarta-feira, 14.12.11

Já há muito me convenci não ser merecedor da felicidade.

-É triste? – É mau? – Nada mais é que a verdade.

 

- Se me importo? – É tão impossível não me importar.

Mas antes a certeza da infelicidade do que um dia o sonho voltar.

 

Sou o refém do desgosto com um certo “ síndrome de Estocolmo” esbatido em mim.

-E se a vida me é tão pouco, ou quase nada, porque é que não lhe arranjo um outro fim?

 

Mas nesse ponto fulcral, entra a soberana característica do meu ser,

Sou um apático, dominado por uma apatia que tenho sem querer.

 

Sonho imenso… traço planos mais que magistrais…

Tudo isso sem sair do sofá e sem os tornar reais.

 

E não bastasse ser apático por natureza,

Sou também, prisioneiro perpétuo da tristeza.

 

Da perpétua tristeza que a meu lado caminha,

Nunca me deixando só, ou eu a ela sozinha.

 

Se enegrece o céu, a cada dia tristemente por mim passado.

Feliz de mim, de apatia e tristeza crivado…



pseudo-poeta às 14:16 | link do post | comentar

O mais belo poema de amor…

Nunca foi escrito.

O mais belo poema de amor…

Foi sentido, pensado e nunca dito.

 

Todos os poemas de amor…

Nunca deviam ser escritos.

Todos os poemas de amor…

Pecam por não terem sido ditos.

 

Todos os que escrevem poemas de amor…

Fazem-no por o sentir.

Todos os que escrevem poemas de amor…

Fazem-no para fugir.

 

Também já eu escrevi poemas de amor…

E nunca, em nenhum deles usei tantas vezes a palavra amor.

Também já eu escrevi poemas de amor…

E a palavra que mais escrevi em todos eles, foi dor.



pseudo-poeta às 13:04 | link do post | comentar

Domingo, 11.12.11

Ó minha, meu mais que tudo…

 

Agora só te vejo em minhas recordações,

Vejo-te, nos momentos que por mim passaram.

Eras o real da irrealidade de minhas ilusões,

E a beleza extrema que outros não narraram.

 

Ó minha, meu mais que tudo…

 

Estou neste momento a ser consumido

Pela saudade e pelo desespero de não te ver,

Nem mesmo quando caio adormecido

Meu cérebro para de invocar memorias de teu ser.

 

Ó minha, meu mais que tudo…

 

Eras luz…

És luz que ainda hoje me dá alento

És de todos os meus sonhos, o mais sonhado…

És a mais bela imagem do mundo exterior, que vejo cá dentro.

Quimera máxima de meu coração fragmentado.

 

Ó minha, meu mais que tudo…

 

Desmontei a razão, fiz dela coisa nenhuma

Tropecei em meus sonhos e desalentos.

E agora não há farol na bruma,

Ou forma de juntar meus fragmentos.

 

Ó minha, meu mais que tudo…

 

Na impossibilidade do impossível,

Faço da tristeza e desespero meu mundo.

Nada mais me é admissível,

Que este penar profundo.

 

Ó minha, meu mais que tudo…

 

Viro costas ao mundo, dele não quero saber…

Nem se gira, ou se para de girar…

Maldito destino que não queria ter…

Forma de vida que só me está a matar.



pseudo-poeta às 14:49 | link do post | comentar

Quinta-feira, 08.12.11

Agora ai sentado ou sentada lês e tentas decifrar meus “pseudo-poemas”, não te posso ajudar a desvendar os segredos que lá encerrei, mas a certeza podes ter, que todos eles são a “verdade”.

Nunca escrevi a mentira em meus versos, nunca falei do que não sinto, nunca perfumei de belos cheiros, o cheiro putrefacto que emana minha mente.

E é assim …

Sou muitas vezes cru nas palavras que escrevo, e nas ideias que nelas faço transparecer.

Nunca procurei agradar ninguém, nem sequer a mim mesmo, nesta confusão de ideias e ideais esbatidos, cinzelados nas palavras que fiz minhas, e depois, dei a meus sentimentos…

Pois são esses sentimentos… dos mais belos aos mais hediondos que dão os alicerces, as fundações, aos meus devaneios escritos.

Não tens de gostar de mim, nem do que lês… sinceramente, nunca isto de escrever teve essa importância para mim… nunca o fiz para mostrar alguma coisa… para esconder, talvez… mas isso é uma outra história.

 

Queria escrever mentiras, dizer que sou bom… que o mundo é belo… que tudo é azul e alegria… como eu, queria… escrever mentiras.

Queria escrever que sou forte, e que vejo beleza e uma razão para viver em tudo o que me rodeia… como eu queria escrever mentiras.

 

Se fosse fotógrafo, todas as minhas fotografias seriam a preto e branco, se fosse pintor todas as telas seriam pintadas a carvão, se fosse compositor, músico seria como Chopin, que criou a música que leva o caixão.

 

Mas como não sou nada… nem poeta, nem fotógrafo, nem pintor, nem compositor…

 

Me fico por dizer que o que escrevo, mesmo não sendo nada, é a “verdade”.



pseudo-poeta às 22:04 | link do post | comentar

Terça-feira, 06.12.11

Anoiteceu para sempre, aqui, em meu coração.

A luz dourada, cintilante, deixou de aqui entrar.

E nada mais resta, que esta triste condição

De uma dor gigantesca que profana o ar.

 

Já nem considero isto, sentir saudades…

É mais um enforcamento, recorrente e diário.

Onde proliferam monstros e ruindades,

Num seguir fatal em sentido contrário.

 

Meu universo inteiro, não tem estrelas, ou alegrias.

Na minha cela imunda, escura onde definho,

Já nem a salvação vem em fantasias,

Ou a fuga nas palavras dos versos que alinho.

 

Não vejo janelas nem portas, em paredes de betão armado

Somente a persistência sentenciada na clausura.

Pensei dizer o certo, mas quando o disse, já esteva errado

Na imensidão do mundo, estou preso a uma prisão de amargura.

 

No relevo que a caneta esculpe, nestas paginas profanadas,

Com esta caligrafia mal amanhada, despojada de sentido,

Encerradas nestas paredes… e em meu ser encerradas.

Estão as ideias… e as desculpas de um ser caído.



pseudo-poeta às 14:03 | link do post | comentar

Sou, fragmento de um puzzle… esquecido, desaparecido.

Sou, cão vadio…abandonado, perdido.

Sou, pau de fogueira… que não ardeu.

Sou, o soldado medricas… que se rendeu.

Sou, a imagem tremida… que sonhei ser.

Sou, o falhado… que nunca quis vencer.

Sou, monte de estrume… dedicado a decomposição.

Sou, a pedra não pisada… por aqueles que pisam o chão.

Sou, bala perdida… em batalha vencida.

Sou, falha humana… aceite, consentida.

Sou, barco encalhado… que encarde o mar.

Sou, o culpado… que querem ilibar.

Sou, a nódoa… que mancha a camisa imaculada.

Sou, a oportunidade flagrante…falhada.

 

Sou, de uma importância relativa.



pseudo-poeta às 14:00 | link do post | comentar

Quarta-feira, 30.11.11

O caminho que sigo, 

Têm pedras desgastadas.

Mas caminho, e não ligo…

São pedras, para ser pisadas.

 

Têm como desígnio ser maceradas,

Serem recalcadas no chão.

São pedras de calçadas…

Desprovidas de sensação.

 

Um propósito humilhante, por elas abraçado…

Mas um propósito… uma razão…

 

E eu… que me mantenho aqui estático,

Desconhecendo o propósito de meu ser.

Olhando as pedras que piso, com um olhar errático

Sem a sua tenacidade perceber.

 

Queria como elas ter um sentido,

Mesmo que fosse ser pisado,

Calcado, macerado, e depois esquecido.

 

Mas não…

 

Tenho menos desígnio, que uma pedra da calçada.

Valo o que valo… e o que valo é pouco mais que nada.



pseudo-poeta às 09:41 | link do post | comentar

Sou herói grego, sem beleza, força ou inteligência,

Sem viagens a fazer, ou monstros a derrotar.

Sou prisioneiro de minha vulgar existência,

Que Deus algum ousa transmutar.

 

Tenho um grande amor em mim, como tinha Orpheu

E iria, como ele, ao Hades, para a salvar.

Galopa em mim a tremenda dor de Prometeu,

Que tal como a ave, de mim se vem alimentar.

 

Em labirintos confusos, me acabo por perder

Enganado por cavalos deixados á minha porta.

As asas que não tenho, o sol, as faz derreter.

A mim… que ninguém me exorta.

 

Nas minhas viagens não feitas, nunca vi o Olimpo,

E não passei o Estige, por não ter pago a Caronte.

Nem miragens vi, de um céu limpo,

Ou de algo não trágico no horizonte.

 

Olhei Medusa, e em pedra me transformei,

Fugindo do Cerberus de meus adormecimentos.

Sem me levantar, me cansei…

Nesta Odisseia de meus pensamentos.



pseudo-poeta às 09:25 | link do post | comentar

Domingo, 27.11.11

O sol irrompe, na manhã de neblina,

Volvendo costas á noite de negrura cristalina.

Foi mais uma batalha épica por ele vencida,

Em mais um amanhecer de minha vida.

 

Jazo, inútil, aqui sentado…

A pensar no que ontem me foi lembrado.

Disseram-me que era um inútil, que nada valia

“Não discordei! Como podia?”

 

Dói tanto ouvir a verdade…

Mas louvo imenso a sinceridade.

E mesmo sabendo, o zero que sou,

Essa “frase-seta” me trespassou.

 

Porque em determinados dias,

Me escondo em deliciosas fantasias.

Escondendo a inutilidade completa de meu ser,

Evitando o espelho que não quero ver.

 

Se houvesse remédio para o inútil que há em mim…

Se houvesse um meio, de á inutilidade por fim…

Beberia esse remédio, tomaria esses meios.

Esvaziaria meus membros, de inutilidade cheios.

 

Perdoa-me sol, por teres de me aquecer…

Perdoa-me por aqui sentado ver mais um amanhecer.



pseudo-poeta às 05:50 | link do post | comentar

Contar o tempo…

Todos os segundos, minutos, horas, dias, meses…

Não conto o tempo…

Sinto-o passar.

Sinto-o ir, e não voltar.

Sinto dentro de mim as recordações.

Os momentos electrizantes, esperados…

Todos os segundos, desassossegados.

Sinto tudo isto… e muito mais…

Tanto mais…

 

No frágil passar do tempo,

Tudo acaba por mudar.

A certeza, vira arrependimento,

Quando digo, o que queria calar.

 

Escrevi, o mundo com outro olhar

Corri, sem ter ido a nenhum lugar

Suspendi, o mundo sem o poder segurar

Vi-me diferente do que é habitual estar.

 

Senti, algo mais que dor…

Vejo-te como algo superior.

Imagem de esplendor…



pseudo-poeta às 05:48 | link do post | comentar

Quarta-feira, 23.11.11

Por vezes…

 

Não queria ver, o que meus olhos me obrigam a ver…

Não queria ouvir, os sons que meus ouvidos me teimam em trazer…

Nem sentir o sabor, sem sabor da ausência do prazer,

Ou sentir o cheiro pestilento imanado de meu ser…

Não queria sentir na pele, todo este sofrer.



pseudo-poeta às 22:35 | link do post | comentar

Sexta-feira, 18.11.11

Imerso no mar do pensamento,

Sonho meu, dorme ao relento.

Por si, passa o tormento…

Desvanecendo em lamento.

 

Naufragado em dia de tempestade,

Sonho meu, viu calamidade.

Deixou de ser sonho, virou irrealidade,

No inquieto trovejar da verdade.

 

Caindo desamparado, no vil chão…

Sonho meu, sentiu contusão.

Se viu perder, em confusão

Nas vagas inquietas da consternação.

 

Vejo-o agora morto, sem vida…

Sonho meu, se matou… suicida.

Não viu, do tormento saída…

E a vida deu como concluída.



pseudo-poeta às 09:43 | link do post | comentar

Sábado, 12.11.11

Mil armas apontadas á cabeça,

E a infelicidade de nenhuma disparar.

 

Vegetativo… inútil…

Aqui me encontro eu, na decadência imensa de ser eu.

Não encontro em nada, um significado para tudo isto.

E deixo-me estar…

 

Dias tornados em noite.

Noites tornadas em trevas.

 

Sou subalterno, de meu estado sério.

Demasiado sério…

Não faço rir ninguém, e nada me faz rir.

Carrancudo por feitio, ou talvez por defeito.

 

A vida que por mim passa,

É-me, um enigma de difícil resolução.

E eu tenho-a pensado, tenho-a analisado.

Sem tirar conclusões.

 

Já nem grito…

Já nem sonho…

 

Enojo-me de mim,

Por ter em mim este pensar.

Talvez me odeie tanto,

Pelo simples facto de ser eu.

 

Talvez exista por aí…

Uma resolução fácil para meu dilema.

Mas exige coragem, e egoísmo.

E, corajoso, sou pouco…

E o egoísmo, pouco me diz.

 

Posto isto…

Resta, a permanência

Vegetativa, inútil, carrancuda,

Incompreensivelmente incompreendida

De ser eu, e de tudo o que isso acarreta.



pseudo-poeta às 01:24 | link do post | comentar

Quinta-feira, 10.11.11

Os escudos, jazem quebrados,

E dou-me por vencido.

Já não há dias encantados…

E o céu, esta enegrecido.

 

Ruínas de alegria…

Há muito abandonadas.

Sementes de agonia,

Em meu coração germinadas.

 

Indefeso, me mostro, a esta dor

Na calma amorfa de a sentir.

Fico só, em tremor

Ao ver á minha volta tudo a ruir.

 

Me abandona tudo resto,

Fica, a mágoa companheira…

Me sumo, me detesto…

Numa existência grosseira.

 

Liberto-me de fantasias,

Encarando a dura realidade.

Amargurados os meus dias,

Crivados de insanidade.

 

Já nem lambo as feridas,

Deixo-as tomar infecção.

Encarno figuras destorcidas,

De discípulo da desilusão.



pseudo-poeta às 01:41 | link do post | comentar

Terça-feira, 08.11.11

Cada vez que falo…

Cada vez que escrevo…

Tenho tendência a deixar…

A deixar muito por dizer,

A deixar muito por escrever.

 

Fica-me sempre a impressão

Que os versos escritos, não estão acabados.

Uma forte convicção,

Que na conversa, nem todos os assuntos foram abordados.

 

Tento ser explícito e coerente…

Mas quando está “terminado”

Penso bem, e fico descontente…

Por algo ter ficado de lado.

 

Ironicamente…

 

Agora falo das palavras não escritas,

Agora escrevo sobre as frases que não foram ditas.

 

Foram… dezenas delas, centenas delas, milhares delas…

Até quem sabe… milhões delas…

 

Deixei mais por dizer, que o que disse…

Deixei mais por escrever, que o que escrevi.



pseudo-poeta às 17:27 | link do post | comentar

Não consigo pensar no escuro…

Necessito de uma luz que alumie o pensamento.

 

Pensar no escuro, é pensar sem barreiras,

É a libertação, social e completa do ser.

É ir… não voltar e quebrar fronteiras.

É pensar, por pensar, sem ter nada a perder.

 

Sou guiado pela lógica e pela razão…

Pela minha lógica, e pela minha razão…

 

Mas até essas fazem parte

De um pensar comum.

Queria o engenho e a arte,

Para não ser só mais um.

 

Tombo em silencio, na imensidão iluminada,

Desolada de meu pensamento…



pseudo-poeta às 17:12 | link do post | comentar

Segunda-feira, 07.11.11

 Eles têm as mãos e os pés atados.

Eles vivem… mas estão condenados.

Fingem ser livres, e abraçam a ilusão,

Fingem voar, sem tirar os pés do chão.

Consagram-se a si mesmos sem pudor,

E fazem aparentar, que entre si, há amor.

São traços errantes, obrados, por uma criança,

São a oferenda vã, que a besta amansa.

Negoceiam a vida e a morte,

Digladiando-se pelo azar e pela sorte.

Foram á lua, violaram o mar,

Sentem-se estranhos, em qualquer lugar.

Domaram tigres e leões,

Encheram-lhe os estômagos de vilões.

Mostram a cor dos dentes, em fingimento…

São lacaios supremos do arrependimento.



pseudo-poeta às 18:41 | link do post | comentar

- Eu quero os campos conspurcados…

Quero as falésias, promontórios calcinados…

Quero os corpos dos amaldiçoados…

Seus sonhos e projectos malfadados.

 

Dêem-me as cinzas ainda quentes,

A inteligência dos descrentes…

O desleixo dos desobedientes,

A falsidade dos incoerentes.

 

Dêem-me o ódio e a maldade,

As pragas e a ruindade…

Dêem-me a crueldade…

Atulhada de perversidade.

 

Dêem-me…

Derramem em mim o mal da humanidade…

 

Dêem-me lixo,

Dêem-me os desperdícios…

Não me quero em crucifixo.

Quero precipícios.

 

Quero a amálgama, resultante do mau…

De tudo o que não se dá a um Deus.

Não quero pedras preciosas, quero o calhau…

Quero os males… que todos são meus.



pseudo-poeta às 18:40 | link do post | comentar

Quarta-feira, 02.11.11

Vi-me… fora de meu corpo,

Lá fora, correndo desgovernado.

Pisava o chão descalço…

Num acto tresloucado.

 

Inspirava ar…

Expirava demência,

Corria sem parar

Voando em imprudência.

 

Farto-me do tédio…

Mas, temo a mudança.

Queria um intermédio

Que equilibrasse a balança.

 

Os dias entediantes…

Massacram ao passar.

As mudanças angustiantes…

Fazem o mesmo, ao voltar.

 

E olho para mim…

De fora de meu corpo…



pseudo-poeta às 15:39 | link do post | comentar

Domingo, 30.10.11

São três e pouco da manhã.

 

Acabei agora de ler, um livro de poesia.

Como é estranho, esse mundo dos poetas.

Quase tão estranho como é o meu… o meu estranho mundo, o meu estranho pensar.

Autoproclamei-me como um pseudo-poeta… e é isso que acho que sou… sou algo semelhante… algo parecido… algo quase… algo mais ou menos…

No fundo nem sei bem o que sou…

 

Mas são três e pouco da manhã… e o mundo, nesta parte dele, está a descansar, tirando os destemidos que profanam a noite.

E eu… aqui, também… não descanso.

Dormi até tarde, e não tenho sono. Não têm importância, amanhã, também não há muito que fazer.

Nem é mau, não ter muito que fazer, mas têm um grande contra, uma pessoa desocupada leva o tempo a pensar, e eu… estou farto de pensar.

 

Faz frio lá fora…

 

Pousei o caderno e fui fumar…

 

Fumar faz mal, mas eu adoro fumar… “FUMAR MATA” vem escrito no maço de cor negra que todos os dias teimo em comprar.

Fumar… o acto de fumar, é semelhante ao amor… têm quase chama, nuvens de fumo surrealista… e mata.

Mas depois de experimentar é difícil livráramo-nos de qualquer um deles…

 

O vento sanou lá fora…

 

Já passa das quatro da manhã, e continuo aqui, agarrado ao papel, á caneta e aos pensamentos.

Debato teorias comigo mesmo, deixo-me levar na criação apoteótica de meus desconexos devaneios.

Tenho a impressão de ter descoberto algo importante…

-Reinventei a roda?

- Encontrei a explicação para a existência do ser?

 

Nada disso…

 

Acabei de descobrir que este amontoado de palavras mal escritas, não contém qualquer sentido.

E eu, que gostava tanto de escrever algo com sentido, com valor, para mim, e para alguém que um dia leia isto.

 

Queria um ser poeta, e que alguém lê-se um livro escrito por mim, e o acabasse de ler as três e pouco da manhã… e depois pensasse:

“Que estranho mundo este, o dos poetas.”



pseudo-poeta às 23:01 | link do post | comentar

Segunda-feira, 24.10.11

Tenho pensado em ti…

Levo horas e horas a pensar em ti.

Tens lugar cativo em meu pensamento.

Tenho pensado em como era abraçar-te e dar-te o mundo, e as estrelas e o universo por inteiro…

Em abraçar-te de forma em que tudo, o que nos rodeasse não tivesse qualquer importância…

É bom pensar em ti.

Mas tira-me o sono…

E depois, escrevo que estou incessantemente a pensar em ti.

Antes, este pensar todo, envolvia sonhos, e mundos criados a meu belo prazer…

Agora… este pensar, é principalmente a dor imensa, e esta mágoa que me dilacera.

Mas continuo a pensar em ti…

Sinceramente, nem penso, em não pensar em ti.

És marca eterna em mim, sem metáforas, ou palavras pomposas… é isso mesmo… estás marcada em minha mente. Não o nego.

Como o poderia negar?

E ao pensar, por vezes esboço um sorriso. (Coisa rara em mim…) um sorriso verdadeiro envolto em nostalgia…

Vou continuar a pensar em ti, mesmo quando apagar a luz, e tentar dormir. No imediato instante em que acabe estas frases, onde digo simplesmente que tenho pensado em ti…



pseudo-poeta às 18:49 | link do post | comentar

Ergo-me, sem me erguer,

Da apatia memorável de ser…

De ser eu, o que não quis ser…

Olho-me sem me ver.

 

Estou preso a esta realidade,

Que pouco tem de real.

Não creio ser real.

Não creio ser verdade.

 

Vendo-me, com uma venda antiga.

Bordada de sonhos…

De meus tristes sonhos…

Deito-me… já sinto fadiga.

 

Olho o tecto, novamente,

Recomeço a pensar…

Novamente a pensar…

Repetidamente, indiferente.

 

Pesa-me tudo de forma colossal

Sinto o corpo a estremecer…

Sinto-me estremecer…

Enche-me um medo infernal.

 

Triste dia comum…

Triste dia de tédio banal.



pseudo-poeta às 18:48 | link do post | comentar

Como é belo, o silêncio, da cidade atarefada.

O silêncio dos carros, das pessoas a passar,

Um silêncio que não me diz nada.

 

Este silêncio é belo, é profundo.

É um silêncio humanizado…

É o silêncio que silencia o mundo.

 

Não são libertados decibéis

Nas palavras erradas de não ditas,

É o silêncio do que não dizeis.

 

Silêncio, inaudível e estrondoso…

Da vida efémera e quotidiana,

Deste existir horroroso.

 

Eu quero o silêncio!

 

A essência silenciosa, de ti humanidade,

De tudo o que tens para dizer,

E não dizes. Pura falta de verdade.

 

E se alguns ousam profanar o silêncio…

São silenciados.



pseudo-poeta às 18:47 | link do post | comentar

Olho-vos vassalos da futilidade,

Crédulos da mentira e da cobiça…

Deito-me… faço-vos, a vontade.

Me prendo em nós de preguiça.

 

Por não ser crente, e em por nada crer

Vejo-vos arrastar minha vida

A qual, entrego sem responder,

Com um bilhete só de ida.

 

Quem me dera ser como vós…

Ó coisa nenhuma que sois.

Ser velhaco, ser atroz…

E não pensar no que vem depois.

 

Amarrem-me ao mastro do navio…

Que na tempestade vai afundar…

Ponham-me á frente do canhão…acendam o pavio…

E deixem-no rebentar.

 

Não creio…

Não quero crer…

 

O futuro, á felicidade faz tangente.

Mas não a atinge, não lhe acerta…

Finge lhe tocar futilmente,

Mas a ferida esta sempre aberta.

 

E no fim sou crente.

Sou crente, que não quero crer em nada…

Não creio, em quem me mente,

Não creio, numa razão encomendada.



pseudo-poeta às 18:47 | link do post | comentar

Desesperadamente relembro, o que em mim já foi alegria.

Relembro… e caio desfeito em melancolia.

 

Houve em tempos distantes…

(tão distantes, que faz doer.)

Horas, dias brilhantes…

Momentos, que, não poderei esquecer.

 

Mantenho-os guardados em mim,

De forma, a não ser tomado

Por esse inferno sem fim,

Que me mantêm sitiado.

 

São memorias… apenas e só memorias…

Que quando lembradas, me fazem sorrir.

As mais belas historias…

Que alguém, jamais, conseguiu produzir.

 

E por aqui me mantenho, alimentando-me

Do que fatalmente, é passado.

Culpando-me, chicoteando-me…

Por tudo o que fiz de errado.

 

Se me retorcida o coração…

Ao ver que não haverá mais momentos iguais.

Tudo o que sou cai pelo chão…

Desfigurado, ao sabor do jamais.



pseudo-poeta às 18:46 | link do post | comentar

Tenho as mãos na cabeça,

Segurando todo o peso do meu ser.

Temendo que teu olhar desconheça,

As palavras vãs, que vou escrever.

 

Tenho resistido, á tentação,

De te invocar, ó musa minha.

Mas sempre foste inspiração,

Para escrever só mais uma linha.

 

Tenho mantido cativo em mim,

Toda esta flagelante e amarga saudade.

E perdoa se sou ruim,

Mas já não vejo luz ou claridade.

 

Dedico-me então a sofrer…

E já nem disso peço salvação.

Penso que este doer,

É mais um pedaço de meu coração.

 

Vejo os dias passar,

Envoltos em bruma.

E as memorias a içar,

O que já foi tudo, e agora, é coisa nenhuma.

 

Queria que se cessasse

Em todo o meu ser,

Que não me castiga-se…

Mais este sofrer.

 

No entanto… fatalmente,

Meus desejos, não são atendidos.

Sinto freneticamente …

Sentimentos não correspondidos.

 

E vem o amanhecer… diariamente…

Trazendo consigo recordações…

Mente minha mente…

Se contraindo em ilusões.

 

Não vejo meio, de isto mudar.

De gatafunhar outra história,

Estou enfermo, sem me impugnar,

Pedindo esmola, á memória.

 

Já nem considero isto viver…

Não passa de uma flagelante duração.

Onde aos poucos ando a morrer,

Não vendo em nada razão.

 

Estes versos, penitenciados.

Dão forma ao meu sentimento,

Aos meios esgotados…

De prender o que vai cá dentro.

 

Tenho-te cinzelada, em meu interior…

Com traços de uma beleza absoluta.

Lembro-te com o fulgor…

De uma certeza resoluta.



pseudo-poeta às 18:44 | link do post | comentar

Segunda-feira, 17.10.11

Estiquei meu físico semi-nu, sobre a marquesa.

O técnico assombrado, mostrou surpresa…

Olhou as placas, depois meus olhos, e começou por dizer:

- Absolutamente nada, é o que consigo ver.

 

Invólucro oco…

 

Tenho dentro de mim, um enorme vazio…

Ardendo devagar… lentamente, em mim o pavio.

Onde a alma tinha lugar, ficou um zero, transcendental.

Onde o coração batia, um nada monumental.

 

Sumi-me em mim.

 

Já nem entranhas, contenho.

Nada me resta… nada tenho.

Sinto o eco de minha voz, ecoando…

Por todo o meu vazio…ribombando.

 

Vulto sem conteúdo.

 

Tomei o mundo como se fosse meu…

Na leveza extrema de ser nada mais que eu.

Regurgitando o nada que brotava de meu interior.

Fui nada… e nada sendo, fui superior.



pseudo-poeta às 14:14 | link do post | comentar

Quinta-feira, 13.10.11

Sentado á beira do abismo,

Não conseguindo ver o seu fundo.

Me dediquei com todo o meu irracionalismo,

Na criação de um novo mundo.

 

Escolhi formas, e moldei ideais.

Imaginei lugares, cidades, e recantos.

Imortalizei histórias ancestrais…

Gentes, pessoas mas não deuses ou santos.

 

Fui Deus… e esta era minha criação.

Maravilhoso, belo, e harmonioso…

O mundo de minha divagação.

 

Metrópoles organizadas, desprovidas

De fome, tristeza, criminalidade…

Pessoas que viviam, vidas…

Crianças soltas, á sua liberdade.

 

Campos verdejantes, florestas frondosas…

Rios que corriam limpos, e libertinos…

Mares calmos… mares de ondas majestosas…

Seres livres de seus destinos.

 

Raça humana purificada…

Isenta de sentimentos desleais.

A razão da vida glorificada,

Á luz de magníficos ideais.

 

…………………………………………………………………..

 

Ó utopia… estupidamente irreal…

 

Estou agora sentado,

Novamente a beira do abismo.

Desconsolado, envergonhado,

Com todo o meu irrealismo.

 

Os ideais por mim pensados,

São desprovidos de valor.

Deuses e santos são louvados,

Não as pessoas e seu fulgor.

 

Nunca serei deus, ou criador

Não há harmonia, beldade no mundo

Só, e simplesmente dor.

 

As cidades crescem desgovernadas,

Alicerçadas em ruindade…

As pessoas vivem, vidas fachadas.

E os putos… são presos á liberdade.

 

Os campos são cimentados, pavimentados…

As florestas ceifadas, queimadas…

Os rios putrificados, acorrentados…

As ondas e marés conspurcadas…

 

E o resto… os seres, são condenados,

Sem hipótese de defesa ou salvação.

Extintos, esmagados, caçados…

Á força bruta da humanização.

 

Raça humana indecente…

Gerada de sentimento interesseiro.

És para ti, a mais proeminente…

E aquela que vem sempre primeiro.



pseudo-poeta às 15:58 | link do post | comentar

Terça-feira, 04.10.11

Caem lascas, á força do movimento,

Meticuloso de um cinzel.

Vai tomando forma o sentimento,

Esculpido por um descrente infiel.

 

A milenar rocha acinzentada,

Vestia agora um vestido de formosura.

Tinha sido embelezada, trabalhada, amada…

Escondendo porem sua amargura.

 

Traços de uma beleza monumental

Impressos naquele objecto anónimo,

Um arrojo de vontade intemporal,

Que de alegria não era sinónimo.

 

No gemido interno que a pedra exprimia…

Num exprimir sem expressão.

Lia-se a saudade, que esta oprimia,

Dos dias que não voltarão.

 

Lembrava no interior de si, mesma, em toda a sua pureza…

A condição, de não ser esculpida…

Ser livre, ser feia, desprovida de beleza….

 

Recordações corroíam sua mica, quartzo e feldspatos…

O ter como tecto o céu… a terra toda como estrado…

Eram lembranças dolorosas, naqueles dias ingratos.

 

Era agora bela, única, deslumbrante.

Mas a saudade de ser aquela pedra perdida,

Entregue aos elementos… cambaleante…

A essas saudades no seu coração dava guarida.

 

Vinham de longe, agora gentes para a ver…

Olhavam-na… entre murmúrios e contemplação.

Contemplada… nunca quis ela ser…

Nem precisava de qualquer atenção.

 

 

Num outro tempo, perdida na montanha…

No fiel acto de existir…

Prometeu a si, mesma, a façanha:

Que nunca ninguém a iria esculpir.



pseudo-poeta às 23:46 | link do post | comentar

Sábado, 01.10.11

Hermeticamente fechado, assim eu queria o meu sentir.

Impenetrável… mesmo que eu o quisesse abrir.

Mas o mundo… diz que não poder ser desta maneira,

Temos que amar, sofrer, sem por, a isso barreira.

 

E eu… eu amo tanto, e amo de forma vigorosa,

De forma verdadeira, e não mentirosa.

Anormalmente sou crente nestas coisas do sentir.

Mas dia após dia, vejo minha fé a ruir.

 

Confesso, nunca mostrei muita crença nos outros…

E a razão, me a, vão dando aos poucos.

Jamais ousei, mostrar simpatia por alguém,

Ao qual meu olhar, fosse ninguém.

 

Não consigo ser falsário de sentimentos,

De fingir gostar, só por momentos…

Mas ao que parece, sou uma anormalidade…

 Falsidade e perjúrio são banalidade.

 

Não vos culpo, humanidade…

A razão parece estar do vosso lado.

 

Hermeticamente fechado em minha nulidade.



pseudo-poeta às 22:28 | link do post | comentar

Tomo o caminho… por mim, tantas vezes tomado.

E me olha a humanidade, de seu púlpito dourado.

Vagueio dolorosamente, para meu interior…

Penando a cada passo, de uma fraqueza superior.

 

Desvigoro em mim mesmo, na incompreensão total de ser.

Se questiona em mim… aquele que tudo quer perceber,

Maestro devaneante, que orquestra meus pensamentos,

Este pensar irritante, nascente de meus descontentamentos.

 

Não finjo sentir o que realmente sinto…

Me desfragmento… me perco… em “eu”… labirinto.

Tenho a incerteza dolorosa, a crescer em mim sem freio…

Me contorcido, ao poder de meu devaneio.

 

Desdenho, como não posso mais desdenhar…

A fatalidade incerta que me está a avassalar,

Mas assino o armistício, e deixo-me tomar.

 

Já não volto a erguer meu braço, numa batalha perdida,

Já não volto, a tentar curar a velha ferida…

Rendo-me… e não volto a procurar saída.



pseudo-poeta às 22:26 | link do post | comentar

Quarta-feira, 21.09.11

Chamam a isto vida…

Mas o que quer isto dizer?

Sinto-me um estranho, neste acto incompreensível. Não sei o que é a vida…

Não sei o que isto é…

- É ter dias entediantes do alvorecer ao anoitecer?

- Se é isso… foda-se, então tenho uma vida magnifica…!

- Se é não ter o mínimo de alegria dentro do corpo, e arrasta-lo penosamente pelo mundo… - Então também tenho uma vida completa!

- Se a vida é ver os sonhos ir… como viajantes sem rumo ou regresso… - Então eu vivo!

- Se viver é a inexistência absoluta de um sentido… -ENTÃO FODA-SE… eu vivo!

 

Sim eu também olho o céu, e ele é azul, e lá nele, brilha o sol… que brilha, para toda gente…

Mas o sol nada me diz, e o azul do céu é vão…

Sou a incompreensão em todo o seu magnífico esplendor, e farto-me de não compreender… e finjo que entendo.

Misturo-me na massa homogénea a que chamaram humanidade, e como ela… VIVO.

Vivo como ela, sem saber o que é a vida.



pseudo-poeta às 00:05 | link do post | comentar

Domingo, 18.09.11

- Bem-vindos!

- Sejam bem-vindos, ao interior de minha loucura.

- Venham convidados meus…

Venham ver, o que se esconde por de traz disto tudo.

Não temam… a viagem pode ser inútil, mas não vai magoar ninguém.

 

- Comecemos!

- Por onde querem começar?

-Eu por mim, começava pelo fim…

Mas o fim, ainda não aconteceu, e não sei quanto tempo demorará, pode ser em breve, ou daqui a muitos anos…

Não sei…! Mas se houvesse um fim, era exactamente por aí que eu começava…

Não havendo fim, não sei… não percebo, a finalidade desta visita.

- Eu avisei que era inútil… tão inútil!

- Claro que sou inútil!

Para ti… para vós… para toda gente, para o mundo.

Mas ou menos sou alguma coisa com nome… (I-NÚ-TIL)

Não esmoreçam… até a inutilidade pode ter algo a dizer…

Mas não tenho nada a acrescentar… Hoje!

Hoje vou ser inútil, mais inútil do que é normal, vou ser o exemplo perfeito da inutilidade absoluta.

Se querem ser inúteis, sou um bom professor, (mestrado na ciência da inutilidade).

Foda-se, como se pode ser tão inútil?

 

Peço desculpa pela inútil visita, peçam o reembolso na bilheteira onde não pagaram o bilhete.



pseudo-poeta às 12:06 | link do post | comentar

Quinta-feira, 15.09.11

Já lá vai mais de um mês, que atraquei neste porto…

Aqui neste lugar onde o sol, é um astro morto.

 

É a minha primeira visita a este lugar enegrecido…

Mas sinto o conhecer, sem nunca ter conhecido.

O escuro horizonte que me enche o olhar,

É-me por de mais familiar.

 

Tenho-me perdido por digressões de amargura,

Me visto encurralado num definhar de negrura.

Neste porto desencantado onde naufraguei,

Me pesa o peso do que errei.

 

Fui aqui exilado, á força de meu sentir,

Agrilhoado sem se quer me brandir.

Depus minhas armas neste local,

Me deixei mutilar por este doer magistral.

 

Não há fuga…

 Navios que me transportem além…



pseudo-poeta às 00:26 | link do post | comentar

Terça-feira, 13.09.11

Olho o mundo, em meu redor…

Nada vejo! Estou cego dentro da cegueira.

Desconectado, absorto…

Osso estilhaçado de minha caveira.

 

Deambulo passivamente na escuridão,

Que tudo isto me projecta.

Amaldiçoada desconexão…

Que em meu corpo se dejecta.

 

Arremessado ao mundo, num dia sem luz…

Perdi, em tudo confiança.

Sigo na estrada, que a nada me conduz,

Me irrompendo em delírios de insegurança.

 

E no passo estrangulado de minha locomoção,

Piso, aniquilo… a consciência conexa de meu ser.

A destruo, oblitero-a, trocando-a por desconexão…

Escarnecendo um pouco mais o meu viver.

 

Me decompondo em vida…

Na rotina de ser fraco.

Entusiasmo suicida…

De um libertar opaco.



pseudo-poeta às 22:04 | link do post | comentar

Acasos triunfais da natureza…

Dotados de inteligência…

Falta-nos a delicadeza

Para por termo á nossa intransigência.

 

Amontoados de células e cromossomas

Entes vivos de um capricho transcendental.

Somos na essência carcinomas,

Postos num efémero pedestal.

 

Dirigidos por nosso falso entendimento…

Por reacções moleculares.

Somos folhas ao vento…

Desprovidos de pensares.

 

Somos simples, e desinteressantes seres

Movidos por instintos rudimentares.

Matamos por prazeres…

Por causas vãs, mas particulares.

 

Defendemos ser a obra-mestra…

Da nossa conquistada natureza.

Mas a humanidade se orquestra

Para um ridículo final sem beleza.

 

E concebemos deuses e identidades divinais,

Para assistirem á nossa inútil vida, de plateia.

Para os culparmos do fim… dos finais,

E de nossa amargura e dor alheia.



pseudo-poeta às 21:21 | link do post | comentar

Domingo, 11.09.11

Vejam a vida correndo desmedida,

Vejam os sonhos cair de descabida.

Vejam os viajantes tomarem nova ida…

 

Que eu do fosso nada vejo.

 

Invejo a sorte, de quem

Ao mundo a cores assiste.

-Não! – Não, invejo ninguém…

-Apenas quem não é triste.

 

E invejo… por não perceber…

Como, por que raios conseguem rir?

Positivistas, irrealistas não consigo entender.

Se dentro de mim vejo tudo a ruir.

 

Uma implosão que falhou…

Mergulhou-me no fosso.

O vazio quem em mim criou

Me dilacera até ao osso.

 

E este algo semelhante a um viver…

Não passa de uma ficção.

São passadas dadas a doer,

Nesta existência de consolo vão.

 

Sair do fosso… não quero…

Aqui, é tudo permanente e habitual.

Esperar? - Já nada espero…

O fosso se encarrega de ser brutal.

 

E juntamente aqui comigo, enterrei

Tudo o quanto eram sonhos, e visões…

No fosso comigo, o que errei

Guardei sem explicações.

 

E não me lancem cordas de salvação…

Abdico delas sem reconsiderar.

Antes o meu fosso e a podridão…

Do que um dia voltar a sonhar.

 

E no alvorecer da antiga alvorada,

Se ouvem os canhões, agora silenciosos.

No fosso meu, onde tudo é nada…

Não há momentos belos, só horrorosos.

 

E mergulho mais fundo…

Onde ninguém me possa chegar.

Perdi a esperança no mundo.

Sou abominável a teu a olhar.

 

Me resta o fosso e a ferida…

O fosso onde nada sou.

E a ferida, que dói desmedida.

O fragmento do que de mim sobrou.



pseudo-poeta às 02:11 | link do post | comentar

Sábado, 10.09.11

Já não há dias bons. Ou dias maus…

São todos péssimos.

Massacrantes, nunca passando destes graus.

 

São o tédio irreversível onde me estou a afundar,

São lágrimas de meu choro, que afinco em chorar.

São as horas, e os minutos… e os segundos que me estão a matar…

São a puta devassa da vida que me teima, em tramar.

 

Dias que passam lentos,

Deliciados com meus suplícios.

Sem chama ou alentos…

Se regalam dos meus não-auspícios.

 

E vão passando lenta e dolorosamente

Por mim, sem mostrarem clemência…

São dias todos iguais, onde nada é diferente.

São o passar infernal do tempo por minha consciência.

 

Trucidam-me … espezinham-me …

 

Dias de inferno, dias de dor…

Onde me debato em vão…

Meus olhos mostram terror…

Minha “alma” se quebra no chão.



pseudo-poeta às 11:11 | link do post | comentar

Domingo, 04.09.11

Corpos anónimos, amontoados…

De cal carregados.

Se encontram mascarados

Pela morte, que os levou embalados.

 

Descansam no conflito, de seu destino

No esforço vão… de seu desatino.

Na esperança que se evapora em seu olhar cristalino.

De um forçar as leis de um mundo clandestino.

 

São os corpos de ninguém… e de toda a gente.

São a luta vazia, e inclemente

Que os levou a um fado muito pouco sorridente…

A um atroz destino, de dor permanente.

 

Vidas e sonhos, deitados agora por terra

Derrubados por a mão que tudo encerra.

E tudo não foi mais, que uma vã guerra…

Onde tudo se perde, nada se ganha, e a vida erra…

 

Vala comum… lugar obscurecido

Pelas conquistas de quem tudo tem perdido.

Pelos anseios de um ser perdido.

Que contamina o chão, a que foi oferecido.



pseudo-poeta às 01:45 | link do post | comentar

Sábado, 27.08.11

Porque ousas amar? -meu triste coração.

Porque teimas em amar? Sabendo que o amor é a perca da razão.

Tu, meu coração que amas tanto…

Não vês que o amor não é mais que pranto?

Meu coração ridículo e obtuso…

Ouve-me a mim: -O amor… o amor é confuso.

(Para não usar palavras… mais… massacrantes,

Mais próximas e certas que estas que são errantes.)

Digo-te, a ti meu pobre coração. -Que amar, é somente solidão.

Que esse sentimento para ti nobre, é apenas maldição.

Mas tu, meu triste e apaixonado órgão cardíaco,

Vês mais no mundo, que eu… um pobre maníaco.

Vês a condição quimérica de amar…

Vês no amor, uma causa pela qual altercar.

E és mais do que eu… muito mais que eu.

És tu, o combatente, que nunca se rendeu.

Que se ergue, engrandece e luta…

Defendo que amar, é mais que uma disputa.

E não finges ser um falso crente…

Crês que amar, é o melhor que existe em toda a gente.

Crês que amar, é o maior de todos os sentimentos,

Maior que todas as frustrações, dores, e lamentos.

 

E se tu pulsas em mim… ó meu poeta coração…

Talvez… no fundo seja também eu, discípulo de tua condição.



pseudo-poeta às 00:50 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Segunda-feira, 22.08.11

Irremediavelmente me vejo aqui deitado,

Á luz de um candeeiro apagado…

No centro de meu universo, resignado.

Caio em mim mesmo, consternado.

 

Queria em mim a força e a vontade…

Desejo profundamente ser vendado com a verdade.

Descobrir um outro mundo, que me trouxesse variedade.

E desfazer-me dos caprichos de minha nulidade.

 

Cansado de estar deitado, escrevi este verso…

Depois li-o, e nele não vi qualquer nexo.

 

É um amontoado de ideias e loucuras…

Tal como é minha vida, despida de formosuras.

Tal como é o mundo e os dias… e as ruas escuras.

Tal como é a trama de minhas amarguras.

 

Aos poucos e poucos, vejo-me a ser engolido

Pela dissonância, dissonante que me têm perseguido.

Por estas vozes que ouço… sem ser ao ouvido.

E que me gritam bem alto: - ESTAS FODIDO!

 

Mas as vozes que ouço, não são loucura, são o pensamento.

São aquela parte de mim, que fugiu de mim, e do tormento.

 

É com este pensar semelhante ao de um doente mental

Que escrevo em linhas, e neste papel informal…

Que tudo é um gigantesco tédio monumental.

E que a vida, e o mundo me querem tão mal.



pseudo-poeta às 02:03 | link do post | comentar

Corre novamente sem destino

Ó criança que outrora fui eu.

Pula, salta livremente em desatino…

Que a criança que fui, morreu.

 

Sinto saudades da inocência,

De meu desobediente sonhar.

Da incoerente, incoerência…

Que dominava meu pensar.

 

Saudades dos dias intermináveis,

Que fatalmente tiveram de passar.

Se tornaram em dias intragáveis…

Que agora, não consigo suportar.

 

E mesmo sendo novo, estou envelhecido.

Estou exausto, cansado… vencido.

 

O passar da curta vida, cansou-me.

E já não me iludo, na crença…

Sem me debater, dou-me…

Deixo que a miséria me vença.

 

Mas tu… criança alheia…

Que um dia fui eu…

Não te deixes prender na teia,

No enredo, que o destino teceu.



pseudo-poeta às 01:31 | link do post | comentar

Sexta-feira, 19.08.11

Quem olha para mim não é capaz de perceber,

Que em meu interior se esconde um sofrer…

Um sofrer colossal, um doer gigantesco.

Sem o entender eu próprio, sei que é grotesco.

Não quero mais, esta dor pejada em mim.

Não quero mais sofrer… mas enfim…

Sinto não haver solução…

Para a profana dor que me destrói o coração.

Se em tempos houve luz…

Me vejo agora crucificado em minha cruz.

Da alegria, que a dor em mim, combatia…

Resta a lembrança, e o que eu sentia.

Não quero mais…

Esta dor, dentro do que eu sou.

Quero de novo a alegria que me abandonou.



pseudo-poeta às 22:58 | link do post | comentar

Queria escrever sobre flores, e alegria…

Mas não são estas que marcam o meu dia.

Não são estas que me fustigam.

Não são flores e alegrias que me castigam.

 

Perpétua é a dor, perpétuo é o sofrimento.

Que escrevo. O que me inspira… é o lamento.

E nada mais resta em mim.

A não ser uma tristeza sem fim.

 

Por momentos até consigo rir…

Ponho a mascara e escondo o que me está a destruir.

Mas na solidão de meu pensar…

Só dor existe… sem cessar.

 

E não há flores ou alegria.

Nada resiste… só melancolia.

Só este peso, em mim acorrentado,

Só este sentir condenado.

 

Ab-rogou em mim, qualquer contentamento,

Rejubila em mim o tormento.

Se engrandece a infelicidade…

Flores, alegrias… são irrealidade.



pseudo-poeta às 22:56 | link do post | comentar

Segunda-feira, 15.08.11

Já nem o patíbulo tem a corda…

E o laço jaz desfeito.

Já nem o coração bate á borda,

De meu cavernoso peito.

 

Nada resta…

 

Nem alegrias, nem satisfações…

Se perderam por ai…

Na calma vaga, de minhas ilusões.

 

Sim…porque nada resta.

 

E da esperança…

Somente persiste a lembrança.

E á bonança…

Jamais meu ser alcança.

 

Tudo esta perdido…

Tudo se perdeu…

Segredo-te ao ouvido,

Que o fim, aconteceu.

 

O outrora céu azul, brilhante…

O vejo agora de negro pintado.

Marcado de uma dor crepitante,

Faz companhia a meu ser despedaçado.

 

E nada resta…



pseudo-poeta às 15:00 | link do post | comentar

SOFRIMENTO

Me tem marcado a vida inteira

Se tem mostrado, presente…

Sempre a minha beira,

Me mantendo descontente.

 

AMIZADE

Ancora de meus devaneios,

A força intemporal.

Escudo de meus receios,

A integridade existencial.

 

RAZÃO

A minha busca infindável

Um acréscimo á loucura.

Minha cisma irrefutável…

Da crescente amargura.

 

FAMÍLIA

Meu grande socorro.

Fonte de meu senso…

Por vós, mil vezes morro.

Em vós, amor condenso.

 

INCOMPREENSÃO

O meu, não entendimento,

Do mundo, da gente…

E de tudo mais que traz o vento,

A este momento presente.

 

LOUCURA

Não diagnosticada…

Mas podem crer, que real.

Faz de mim criatura imoderada…

Me faz bater tão mal.

 

DESCRENÇA

Não creio em mim…

E em pouco creio…

Uma descrença sem fim.

No calamitoso receio.

 

PAIXÃO

A força que me transfigura…

Razão de minha alegria,

Razão de minha tortura,

Espasmos de melancolia.

 

POESIA

Meu escape avulso

Á dolorosa realidade…

Meu acto de repulso,

Onde me perco com vontade.

 

FRUSTRAÇÃO

O querer…

O ambicionar…

O nada ter…

O nada alcançar.

 

CANSAÇO

Constante e fustigador

Resultante de minha podridão.

De tudo causador…

Nos passos que dou, em vão.

 

APATIA

Marca minha vida…

E toda a imperfeição do meu ser.

É a única saída…

Em que acabo por adormecer.

 

SOLIDÃO

A mais massacrante

De todas as penas.

A mais beligerante

Das quarentenas.



pseudo-poeta às 14:57 | link do post | comentar

 

Sentado nesta cadeira

Onde me crispo e cogito.

Onde por brincadeira,

Escrevo aquilo, em que reflicto.

 

Fosse eu, alguma coisa…

Ou se coisa alguma fosse eu…

 

Todas as palavras escritas

Por minha triste figura,

Teriam algum valor.

Mas por mim ditas,

No meio da amargura,

Que são escritas por este autor.

 

Fosse eu, alguma coisa…

 

Algo mais, que esta modesta criatura.

Algo mais próximo do génio, do que do louco.

Algo mais belo que esta caricatura…

Algo mais… só mais um pouco.

 

Mas sendo, o nada que sou,

Escrevo líricas devaneadas.

Contado o que este ser amou,

E as ideias por ele pensadas.

 

Fosse eu, alguma coisa…

 

E não estaria aqui sentado…

Lamentando minha nulidade.

Não estaria aqui sentado…

Não estaria aqui sentado…



pseudo-poeta às 14:53 | link do post | comentar

Não há finais felizes.

E se os há, não são para mim.

Nunca acreditei que a vida era bela,

Mas presumia que não fosse tão ruim.

 

Vejo-me aqui sentado, sozinho

De mãos dadas com este doer medonho,

Na angústia em que alinho.

Rezando preces, a um deus tristonho.

 

Nos contos de encantar…

Contados repetidamente,

Há pessoas a chorar…

A chorar, de tão contente.

 

E em meu rosto…

Também há lágrimas. Resplandecentes…

Indícios de meu desgosto,

E não, de alegrias vigentes.

 

Não há finais felizes…

Não pode haver!

E se os há…

Que fiz eu de tão errado para não os merecer?

 

Estou desapontado com tudo isto…

Com o que é minha vida, com o que sou.

Com o que ouvi, com o que tenho visto.

Com todo nada que o mundo me doou.

 

De hoje em diante, não acredito

Em finais felizes…

Me espumo, e grito…

No pesar de minhas cicatrizes.



pseudo-poeta às 02:57 | link do post | comentar

Domingo, 14.08.11

Um voltar atrás

Corrigir o arrependimento…

Regressar ao passado,

Consertar aquele momento.

 

Queria esse poder em minhas mãos,

O poder carregar num botão

Desfazer todos os meus erros vãos.

Dos quais sinto tamanha decepção.

 

Meus actos efémeros, estrambólicos

Que a mim me trouxeram arrependimento

Se parecem com seres diabólicos…

Que me engolem num vasto tormento.

 

Ai, se por momentos o passado,

Se torna-se no presente…

Meu erro seria consertado,

Toda a minha acção seria diferente.

 

A angústia de carregar este espinho

Dentro de meu verme ser.

Me faz perder sozinho,

Lamentando, o que fui fazer.



pseudo-poeta às 21:08 | link do post | comentar

Sexta-feira, 12.08.11

Que feliz era eu…

Se não pudesse pensar

Realmente feliz era eu…

Se meu cérebro parasse de trabalhar.

 

Porque não cair num buraco sombrio?

Abraçar a solidão, e o vazio, e o oco…

Não seria pior do que uivo…do que pio

Que ecoa em meu cérebro louco.

 

Teria paz… minha efémera consciência

Seria um céu, para minha inútil existência.

Mostraria o mundo a mim clemência

E as magoas se afundariam em decadência.

 

Quero estar comatoso

Desligado do pensamento.

De meu pensar tumultuoso

Afastar o sofrimento.



pseudo-poeta às 00:57 | link do post | comentar

Sou um gigante de merda feito

Um ser tão perfeito…

 

Tudo o quanto sou

Em imundície se tornou,

Quando minha voz falou…

Quanto minha mão tocou.

 

Sou um colossal ser

Que nada é…

 

Em meu olhar estampado

Se esconde a miséria do que sou

Um tresmalhado…

Que por aqui se deitou.

Um louco alimentado…

Pela loucura que o imanou.

Um ser que é tão pouco

Que em gigante de merda se tornou.

 

Sem rodeios, ou penas de minha existência

Sem ser mentiroso como a pobre humanidade

Faço da merda que sou ciência,

Não buscando solidariedade.

 

Não há lamúrias, nem brandas sentenças…

Sou crente de minhas crenças…

No avenço de minhas desavenças…

 

 

 

 



pseudo-poeta às 00:56 | link do post | comentar

Não sou coitadinho…

Não pensem que o sou.

Mas já ando fartinho…

Do que o mundo me tirou.

 

Me tirou? Não…

Que nunca me deu.

Me deu frustração

E sempre me fodeu.

 

Deve ter um gosto especial…

Em me foder…

Em me tratar mal…

No meu sofrer.

 

Desde puto que assim foi,

E eu bem que tenho reclamado.

Deve pensar que não dói…

Sempre ser eu o enrabado.

 

Devo ter escrito na testa

Algo de muito estranho,

Porque o mundo me detesta…

Com tanta força e de maior tamanho.

 

Não pensem que isto é brincadeira,

Ou uma palhaçada…

É a verdade verdadeira,

Sem ser atenuada.

 

É a minha reclamação

Sem tirar nem por…

Um grito de frustração

Um espelho de minha dor.



pseudo-poeta às 00:55 | link do post | comentar

É gélida a pedra tumular

Que guarda meu buraco.

Se contrai e anseia,

Por esse meu corpo fraco.

 

Espera por mim…

Na espera de me velar,

Deseja o meu fim,

Para me poder amparar.

 

E luto, sem receio.

Por a vontade não lhe fazer

Mas falta em mim o meio

E a força para a vencer.

 

Todos nos… sem excepção

Estamos destinados a morrer

Mas lutamos em vão…

Pelo que é mais certo acontecer.

 

Sou um temente da morte

Da dor, do sofrimento

E da má sorte…

Mas se esgota em mim o alento,

Cai por terra meu forte.



pseudo-poeta às 00:50 | link do post | comentar

Sábado, 06.08.11

Pensei conhecer o sofrimento…

Em todo o seu esplendor.

Mas agora, neste momento…

Percebi o real significado da palavra dor.

 

Tenho meu corpo desfeito.

De minha alma, restam pedaços

Um carcinoma em meu peito.

O peso de tudo em meus braços.

 

Tenho mais tristeza em mim,

Do que um ser pode suportar…

Anseio por um fim…

Por um evaporar…

 

Minhas lágrimas são ácidas correntes

Do sofrimento que ocupa meu ser…

Me trilham impudentes

Desgovernando meu viver.

 

Não há luz… apenas escuridão.

Nada… me consola.

Nada me exorta o coração.

A dor me esfola…

Pondo a nu toda a minha putrefacção.



pseudo-poeta às 02:03 | link do post | comentar

O que se segue… é minha descrição,

Um retrato de mim mesmo…

De meu corpo, ser, e razão.

 

Olhando ao espelho, onde me vejo,

Vislumbro o corpo atarracado.

E a alma, de um maior desejo…

De um ser inacabado.

 

Minha fachada…

De fachada, nada tem.

Fronte, marcada

Pela qual mostro desdém.

 

Sou o estilhaço,

Do que um dia, sonhei ser.

Um triste palhaço.

É o que consigo ver.

 

Meu auto-retrato

É um quadro esborratado.

Louco sem trato,

Sem crenças, mas apaixonado.

 

E no fim da epopeia

De meu auto-conhecimento.

Me perco, na teia

Do que é todo o meu sofrimento.

 

Fica muito por dizer

Sobre aquele que vos apresento.

Esse exíguo ser…

Mergulhado em meu tormento.

 



pseudo-poeta às 01:09 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 28.07.11

Invoco memórias de ti

Em minha mente.

E mesmo que não queira,

Tenho-te em meu pensar sempre presente,

 

Nas mil e uma imagens que criei.

Nos versos, só teus, que te dediquei,

No sonho que nunca abandonarei…

Mesmo crente que nunca te terei.

 

Falar de ti…

É ver no mundo alguma beleza…

-Alguma? Não, toda e qualquer beleza,

No desperto sentimento que transbordo com clareza.

 

Nesta minha demanda para exemplificar

Por palavras o que tu és para mim.

Mas não há palavras ou versos

Não há neste mundo nada que o possa demonstrar.

 

E já escrevi mil vezes, esta situação.

Nela me perdi mil vezes, sem conclusão.

Mas volto a escrever de novo, que és minha perdição…

Que és o alento que me faz bater o coração.

 

A ti me rendo.

A ti me dou.

Não me prendo,

Na insignificância do que sou.

 

Imutável é tudo o que eu sinto,

Em relação ao teu maravilhoso ser.

Defendo com instinto,

Que és razão de meu viver.

 

Choro, caem lágrimas por meu rosto

Na fatalidade da não correspondência,

Meu coração decomposto

Se ergue aos céus pedindo clemência.



pseudo-poeta às 06:25 | link do post | comentar

Mais tarde, ou mais cedo,

Vai acontecer…

Vou fugir para o monte.

Onde mais ninguém me vai ver.

 

Não me lembrem

Não quero ser lembrado.

Não sintam falta de mim,

Pois no monte estou saciado.

 

Lá naquele lugar…

Tendo como companheira,

A bem conhecida solidão

Sempre á minha beira.

Numa proximidade sem solução.

 

Ali no topo do monte…

 

Onde todos os meus sonhos…

Tiveram o triste fado de naufragar.

Não existe nada…

E onde por nada é preciso lutar.

 

Ali naquele amontoado

De terra e imolação…

Rei autoproclamado

Num reino tão vão.

 

 



pseudo-poeta às 06:15 | link do post | comentar

Viver agarrado a algo irreal

Sobreviver de uma ilusão

Ser apenas matéria fecal

Sem no mundo ter nenhuma satisfação.

 

Crio mundos, por mim conquistados

Decreto guerra a meus pesadelos…

Sonhos vãos, não realizados.

Que quem me dera, nunca tê-los.

 

Entrego meu corpo em rendição

Já em nada acredito.

Se esfumou a ilusão

No vão silencio do que não foi dito.

 

E aquilo que em mim habita,

Em dias de resignação.

Criatura nada bonita…

Espelho de minha frustração.

 

Perdi ou nunca encontrei

Esse devasso sentimento de nome esperança…

E eu, que tanto o busquei…

Por tudo o quanto o meu olhar alcança.

 

Rendo-me, entrego-me á puta realidade.



pseudo-poeta às 06:07 | link do post | comentar

Quinta-feira, 21.07.11

Me emancipo de meus reticentes pensamentos,

Numa busca por novos conhecimentos.

Resolvi abraçar a erudição

Partir na demanda de uma outra “razão”.

Quero entender o mundo…

O céu… o buraco mais fundo.

Entender a matéria que nos compõe,

O bicho que nos decompõe…

 

Quero entender tudo…

Saber tudo…

Perceber tudo…

 

Quero entender o bem e o mal

O perfeito e o anormal.

Quero ser iluminado, pelo conhecimento…

Perceber o ser, e o elemento.

Resolver mistérios, e questões…

Demolir os velhos bastiões.

Deixar algo no mundo, antes de morrer…

Mas falta em mim a vontade para o fazer.



pseudo-poeta às 01:32 | link do post | comentar

Terça-feira, 19.07.11

Estrelas cadentes

Num céu sem luar.

As quimeras vigentes

Que me fazem delirar.

 

Sob este céu de cor…

Berrante escura.

Vem a nociva dor

Que me mata… tortura.

 

No desengano, enganador

Desta efémera nostalgia

Não resta em mim nenhum valor,

Que combata, esta minha agonia.

 

Não estou certo do que é isto

Mas sinto-me assim…

Sofro mais que Cristo,

Num sofrer sem fim.



pseudo-poeta às 00:44 | link do post | comentar

O sol brilha

E o céu está limpo.

Mas algo, meu coração trilha

Aqui longe do Olimpo.

 

É um dia belo, resplandecente.

Mas em mim… em meu ser…

Não há esplendor presente,

Apenas uma dor… um doer.

 

Este vento que me gela

Em comunhão com a dor,

Meu corpo vela.

Exorcizando meu fulgor.

 

Se apresenta, a meu olhar

Um dia esplendoroso.

Me culpo por penar,

E o achar tão pavoroso.

 

E o soprar do vento…

De forma tão tenaz.

Vento de meu sofrimento

Que a mim, a ti, não me traz.



pseudo-poeta às 00:33 | link do post | comentar

Sábado, 09.07.11

Existe algo no horizonte,

Que eu não consigo ver.

Algo lá bem longe, mesmo de fronte…

Um algo que não consigo perceber.

 

Caminho em passadas, vagarosas…

Sem determinação.

 

E esse algo foge sem leme.

Tento chegar perto…

Enquanto do desconhecido, meu corpo freme.

É a incerteza, do incerto…

 

O desconhecido horripilante…

O futuro que se mostra no horizonte.

De forma fulgurante

Muito para alem da velha ponte.

 

Uma ponte destruída pelo tempo,

Por tudo o que passou, e não vai voltar.

Uma ponte que é o presente, e o lamento,

O lamento lamentável de a atravessar.

 

E eu temo o futuro…

O algo depois do amanha…

A incerteza…



pseudo-poeta às 01:04 | link do post | comentar

A noite cai novamente

Em meu pequeno mundo.

Se quebra a corrente…

Caio moribundo.

 

As trevas, me abraçam,

Num abraço meloso.

Me agarram, me enlaçam…

Num doer doloroso.

 

A penumbra constante,

Em que acabo por mergulhar,

A tortura dilacerante…

Que me teima, em estropiar.

 

A maldita horda, de abominações

Que segue em minha perseguição.

Me rasga os tendões…

Me arrasta no vil chão.

 

Neste mundo pesadelo

Neste vigente ensejo.

O discernimento… acabo por perde-lo…

E nada de bom prevejo…

 

E acordado…

Num mundo tal qual igual ao devaneado…

Vejo que não foi um pesadelo,

Mas sim uma realidade.



pseudo-poeta às 01:02 | link do post | comentar

Quarta-feira, 29.06.11

Num vazio existencial.

No vácuo perfeito e harmonioso.

Um nada transcendental.

Mais belo que horroroso

Mais escuro que radioso.

 

Me liberto, salto para o fundo desse nada…

Vendo bem, no fundo, não somos nada.

E nada seremos…

Enquanto não percebermos que nada somos.

 

É nos dada a oportunidade de sermos algo mais…

Um pouco mais, do que o nada que somos.

Mas nos perdemos, nas futilidades banais…

E nas misérias do que não fomos.



pseudo-poeta às 01:17 | link do post | comentar

Tirando os cigarros que fumo…

Cigarros que teimo em fumar.

Pouco mais acabo por fazer,

Entre os acender e apagar.

 

Fumar mata…

E vou-me suicidando, lentamente.

Por entre os cigarros que vou fumando.

Quando caio na tristeza, quando ando contente…

Cigarros fumo… em quanto vou andando.

 

Podia pensar, em deixar de fumar…

E depois o que ia fazer?

Menos sentido ainda, teria este lugar

E toda a existência do ser.

 

Sentir o fumo em meus pulmões.

A calma falsa da nicotina.

E a falta… com comichões.

 

Cigarros fumo durante a espera

Espera que marca minha vida.

A espera que desespera…

No desespero sem saída.



pseudo-poeta às 00:56 | link do post | comentar

Sábado, 25.06.11

Hoje não vai haver rimas.

Cansado estou da elegância e do primor, com que me tento exprimir.

No entanto, hoje não tenho paciência para isso, quero bater com a cabeça na parede, até um de nós desistir.

Não me sinto nem melhor nem pior do que é normal em mim…

Simplesmente não quero rimas, nem versos, nem metáforas.

Quero ser cru, duro, sem disfarçar nada.

Quero pegar no martelo em vez de pegar na caneta…

E destruir…

Falar directamente comigo, insultar-me.

Não estou louco… no fundo, quem me dera estar.

Assim tinha desculpa… para fazer tudo, dizer tudo… que ninguém me ia importunar.

Pois, eu, era doidinho… Coitadinho!

Sei lá bem, se no fundo a loucura não é uma bênção ao invés de uma maldição.

Mas adiante…

Já me perdi, esqueci-me do que ia dizer a mim mesmo.

Tinha um sermão preparado, mas esqueci-me dele. Porra!

Ultimamente isto tem me vindo a acontecer… lembro o passado esquecendo-me do imediato… e ficam coisas por fazer.

Ou então o esquecimento não passa de uma desculpa maltrapilha, para a falta de vontade e preguiça onde oscila meu ser.

Já lá estou a chegar… (ao sermão que elaborei).

Era aqui que eu queria chegar… a este preciso e exacto ponto.

Ponto este, onde me desencontro, e me questiono.

Divagando no colossal universo que minha mente abrange.

Nesta demanda desmedida pelo auto-conhecimento, e até mesmo pelo sentido da vida.

No entretanto, já me cansei…

E respostas… (para variar) não descobri.

Cesso o movimento de minhas mãos sobre o teclado desta maquina escrevendo:

FIM



pseudo-poeta às 00:05 | link do post | comentar

Não dá prazer algum

Acelerar por essas amplas auto-estradas.

Que levam a lugar nenhum,

Em viagens enfadadas.

 

Devorar curvas, numa estrada nacional,

Separado do abismo, por um raide enferrujado.

Isso sim! É um pouco irracional…

É de loucos, é arrojado.

 

Se prime o acelerador em estreitas vias.

Carregadas de perigos incertos.

Sinuosidades cheias de teimosias

Por novos caminhos descobertos.

 

Era fácil, seguir em frente…

Na pejada auto-estrada.

Mas para mim… eu que sou diferente

Prefiro seguir a estrada esburacada.



pseudo-poeta às 00:04 | link do post | comentar

Quinta-feira, 23.06.11

Não quero uma coroa de louros.

Quero uma coroa de espinhos.

 

Quero uma coroa dilacerante,

Igual á do falso salvador.

De espinhos afiados… cortante,

Obra-prima, para criar dor.

 

Nada marca mais o ser humano,

Que um agonizante sofrimento.

Nada lhe inflige mais dano,

Que a voz do seu próprio lamento.

 

Por isso, venha a mim o flagelo

A massacrante violência.

Ao qual faço apelo

Para exumar, minha existência.

 

Quero ser coroado de espinhos, de espinhos contundentes.

Castigado, torturado, por uma nova agonia.

Não me dêem louros, minhas gentes.

Louros não se dão, por simpatia.



pseudo-poeta às 01:04 | link do post | comentar

Quem esta errado?

Serei eu? Serão os outros?

 

Minhas ideias diferem

Da razão pelos outros dada.

Meus ideais ferem

Quem corre em debandada.

 

Não me sinto portador

De uma verdade absoluta,

Considero-me um pensador

De uma força resoluta.

 

Com este olhar interrogo

Toda, e qualquer existência.

Não sou falso. Não rogo…

Para os outros, minha experiencia.

 

Eles teimam em me contrariar…

Escarnecendo minha opinião.

Levando minha cabeça a pensar:

Se os outros não têm razão.

 

Talvez eles estejam acertados

E eu… completamente errado.

Meus sonhos, nada são… estão destroçados.

Enquanto penso: - não posso estar enganado.

 

Pois eles… já tantas verdades inventaram…

Tantas falsas convicções conseguiram criar

Que em mim, duvidas provocaram

Em meu mundo… em meu pensar.

 

Eles… os outros não têm razão!

Eles… os outros estão errados!



pseudo-poeta às 01:02 | link do post | comentar

Quarta-feira, 22.06.11

Neste palco montado…

Desempenho o papel que me foi imputado.

Ranjo os dentes, em meu púlpito… amedrontado.

Balbuciando gritos, em meu interior revoltado,

Cai sobre mim, o meu querer estagnado,

De uma força imensa, que me mantêm sitiado.

 

E, oscilo meus braços de forma vigorosa

Me digladiando contra a besta venenosa.

Resultado de minha existência asquerosa

Que me punge, de cortes de uma rapidez vagarosa.

 

Acto após acto… berro falas de meu guião.

Insulto a vida, a morte, a multidão.

Descarrego em gritos avulsos o que me vai no coração

Perdendo até por vezes toda e qualquer razão.

No entanto, cismo em minha conversação…

Difamo, enxovalho o mundo em toda á sua dimensão.

 

E perguntas-me, o porque de minha razão de ser…

Viro costas… nem eu próprio me consigo entender.

E a resposta, que queres ouvir, não é a que vais ter.

 

Muda-se o cenário, mas não o actor…

Muda-se o elenco, mas não a dor.

Caem os sonhos… se perde o fulgor

Mantêm-se os devaneios, num caos fustigador.



pseudo-poeta às 23:47 | link do post | comentar

Quinta-feira, 16.06.11

Se tudo tem um sentido…

Uma fórmula… uma razão.

Porque me sinto eu perdido?

Rejubilando frustração.

 

Vejo o mundo…

No seu benévolo, funcionamento

E em meu fundo…

Me contraio, em lamento.

 

Tudo é tão inútil…

Tão vão e fútil.

 

Será de mim?

De meus olhos?

Destes olhos, que irremediavelmente,

Só vêem a tristeza a tudo inerente.

Deste meu olhar?

Que se desfoca, em tua ausência

Fazendo do mundo um castigo sem indulgência.

 

É inútil tudo.

 

É inútil, o nascer do dia.

É inútil, a noite sombria.

É inútil, eu sonhar…

Inútil é desejar.

É inútil este viver…

Tudo é inútil se não te posso ver.

 

Tudo ganha tamanha inutilidade

No desespero do teu não estar.

É mais que uma fatalidade,

O não te poder abraçar.



pseudo-poeta às 00:09 | link do post | comentar

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