Domingo, 30 de Outubro de 2011

São três e pouco da manhã.

 

Acabei agora de ler, um livro de poesia.

Como é estranho, esse mundo dos poetas.

Quase tão estranho como é o meu… o meu estranho mundo, o meu estranho pensar.

Autoproclamei-me como um pseudo-poeta… e é isso que acho que sou… sou algo semelhante… algo parecido… algo quase… algo mais ou menos…

No fundo nem sei bem o que sou…

 

Mas são três e pouco da manhã… e o mundo, nesta parte dele, está a descansar, tirando os destemidos que profanam a noite.

E eu… aqui, também… não descanso.

Dormi até tarde, e não tenho sono. Não têm importância, amanhã, também não há muito que fazer.

Nem é mau, não ter muito que fazer, mas têm um grande contra, uma pessoa desocupada leva o tempo a pensar, e eu… estou farto de pensar.

 

Faz frio lá fora…

 

Pousei o caderno e fui fumar…

 

Fumar faz mal, mas eu adoro fumar… “FUMAR MATA” vem escrito no maço de cor negra que todos os dias teimo em comprar.

Fumar… o acto de fumar, é semelhante ao amor… têm quase chama, nuvens de fumo surrealista… e mata.

Mas depois de experimentar é difícil livráramo-nos de qualquer um deles…

 

O vento sanou lá fora…

 

Já passa das quatro da manhã, e continuo aqui, agarrado ao papel, á caneta e aos pensamentos.

Debato teorias comigo mesmo, deixo-me levar na criação apoteótica de meus desconexos devaneios.

Tenho a impressão de ter descoberto algo importante…

-Reinventei a roda?

- Encontrei a explicação para a existência do ser?

 

Nada disso…

 

Acabei de descobrir que este amontoado de palavras mal escritas, não contém qualquer sentido.

E eu, que gostava tanto de escrever algo com sentido, com valor, para mim, e para alguém que um dia leia isto.

 

Queria um ser poeta, e que alguém lê-se um livro escrito por mim, e o acabasse de ler as três e pouco da manhã… e depois pensasse:

“Que estranho mundo este, o dos poetas.”



publicado por pseudo-poeta às 23:01 | link do post | comentar

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

Tenho pensado em ti…

Levo horas e horas a pensar em ti.

Tens lugar cativo em meu pensamento.

Tenho pensado em como era abraçar-te e dar-te o mundo, e as estrelas e o universo por inteiro…

Em abraçar-te de forma em que tudo, o que nos rodeasse não tivesse qualquer importância…

É bom pensar em ti.

Mas tira-me o sono…

E depois, escrevo que estou incessantemente a pensar em ti.

Antes, este pensar todo, envolvia sonhos, e mundos criados a meu belo prazer…

Agora… este pensar, é principalmente a dor imensa, e esta mágoa que me dilacera.

Mas continuo a pensar em ti…

Sinceramente, nem penso, em não pensar em ti.

És marca eterna em mim, sem metáforas, ou palavras pomposas… é isso mesmo… estás marcada em minha mente. Não o nego.

Como o poderia negar?

E ao pensar, por vezes esboço um sorriso. (Coisa rara em mim…) um sorriso verdadeiro envolto em nostalgia…

Vou continuar a pensar em ti, mesmo quando apagar a luz, e tentar dormir. No imediato instante em que acabe estas frases, onde digo simplesmente que tenho pensado em ti…



publicado por pseudo-poeta às 18:49 | link do post | comentar

Ergo-me, sem me erguer,

Da apatia memorável de ser…

De ser eu, o que não quis ser…

Olho-me sem me ver.

 

Estou preso a esta realidade,

Que pouco tem de real.

Não creio ser real.

Não creio ser verdade.

 

Vendo-me, com uma venda antiga.

Bordada de sonhos…

De meus tristes sonhos…

Deito-me… já sinto fadiga.

 

Olho o tecto, novamente,

Recomeço a pensar…

Novamente a pensar…

Repetidamente, indiferente.

 

Pesa-me tudo de forma colossal

Sinto o corpo a estremecer…

Sinto-me estremecer…

Enche-me um medo infernal.

 

Triste dia comum…

Triste dia de tédio banal.



publicado por pseudo-poeta às 18:48 | link do post | comentar

Como é belo, o silêncio, da cidade atarefada.

O silêncio dos carros, das pessoas a passar,

Um silêncio que não me diz nada.

 

Este silêncio é belo, é profundo.

É um silêncio humanizado…

É o silêncio que silencia o mundo.

 

Não são libertados decibéis

Nas palavras erradas de não ditas,

É o silêncio do que não dizeis.

 

Silêncio, inaudível e estrondoso…

Da vida efémera e quotidiana,

Deste existir horroroso.

 

Eu quero o silêncio!

 

A essência silenciosa, de ti humanidade,

De tudo o que tens para dizer,

E não dizes. Pura falta de verdade.

 

E se alguns ousam profanar o silêncio…

São silenciados.



publicado por pseudo-poeta às 18:47 | link do post | comentar

Olho-vos vassalos da futilidade,

Crédulos da mentira e da cobiça…

Deito-me… faço-vos, a vontade.

Me prendo em nós de preguiça.

 

Por não ser crente, e em por nada crer

Vejo-vos arrastar minha vida

A qual, entrego sem responder,

Com um bilhete só de ida.

 

Quem me dera ser como vós…

Ó coisa nenhuma que sois.

Ser velhaco, ser atroz…

E não pensar no que vem depois.

 

Amarrem-me ao mastro do navio…

Que na tempestade vai afundar…

Ponham-me á frente do canhão…acendam o pavio…

E deixem-no rebentar.

 

Não creio…

Não quero crer…

 

O futuro, á felicidade faz tangente.

Mas não a atinge, não lhe acerta…

Finge lhe tocar futilmente,

Mas a ferida esta sempre aberta.

 

E no fim sou crente.

Sou crente, que não quero crer em nada…

Não creio, em quem me mente,

Não creio, numa razão encomendada.



publicado por pseudo-poeta às 18:47 | link do post | comentar

Desesperadamente relembro, o que em mim já foi alegria.

Relembro… e caio desfeito em melancolia.

 

Houve em tempos distantes…

(tão distantes, que faz doer.)

Horas, dias brilhantes…

Momentos, que, não poderei esquecer.

 

Mantenho-os guardados em mim,

De forma, a não ser tomado

Por esse inferno sem fim,

Que me mantêm sitiado.

 

São memorias… apenas e só memorias…

Que quando lembradas, me fazem sorrir.

As mais belas historias…

Que alguém, jamais, conseguiu produzir.

 

E por aqui me mantenho, alimentando-me

Do que fatalmente, é passado.

Culpando-me, chicoteando-me…

Por tudo o que fiz de errado.

 

Se me retorcida o coração…

Ao ver que não haverá mais momentos iguais.

Tudo o que sou cai pelo chão…

Desfigurado, ao sabor do jamais.



publicado por pseudo-poeta às 18:46 | link do post | comentar

Tenho as mãos na cabeça,

Segurando todo o peso do meu ser.

Temendo que teu olhar desconheça,

As palavras vãs, que vou escrever.

 

Tenho resistido, á tentação,

De te invocar, ó musa minha.

Mas sempre foste inspiração,

Para escrever só mais uma linha.

 

Tenho mantido cativo em mim,

Toda esta flagelante e amarga saudade.

E perdoa se sou ruim,

Mas já não vejo luz ou claridade.

 

Dedico-me então a sofrer…

E já nem disso peço salvação.

Penso que este doer,

É mais um pedaço de meu coração.

 

Vejo os dias passar,

Envoltos em bruma.

E as memorias a içar,

O que já foi tudo, e agora, é coisa nenhuma.

 

Queria que se cessasse

Em todo o meu ser,

Que não me castiga-se…

Mais este sofrer.

 

No entanto… fatalmente,

Meus desejos, não são atendidos.

Sinto freneticamente …

Sentimentos não correspondidos.

 

E vem o amanhecer… diariamente…

Trazendo consigo recordações…

Mente minha mente…

Se contraindo em ilusões.

 

Não vejo meio, de isto mudar.

De gatafunhar outra história,

Estou enfermo, sem me impugnar,

Pedindo esmola, á memória.

 

Já nem considero isto viver…

Não passa de uma flagelante duração.

Onde aos poucos ando a morrer,

Não vendo em nada razão.

 

Estes versos, penitenciados.

Dão forma ao meu sentimento,

Aos meios esgotados…

De prender o que vai cá dentro.

 

Tenho-te cinzelada, em meu interior…

Com traços de uma beleza absoluta.

Lembro-te com o fulgor…

De uma certeza resoluta.



publicado por pseudo-poeta às 18:44 | link do post | comentar

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

Estiquei meu físico semi-nu, sobre a marquesa.

O técnico assombrado, mostrou surpresa…

Olhou as placas, depois meus olhos, e começou por dizer:

- Absolutamente nada, é o que consigo ver.

 

Invólucro oco…

 

Tenho dentro de mim, um enorme vazio…

Ardendo devagar… lentamente, em mim o pavio.

Onde a alma tinha lugar, ficou um zero, transcendental.

Onde o coração batia, um nada monumental.

 

Sumi-me em mim.

 

Já nem entranhas, contenho.

Nada me resta… nada tenho.

Sinto o eco de minha voz, ecoando…

Por todo o meu vazio…ribombando.

 

Vulto sem conteúdo.

 

Tomei o mundo como se fosse meu…

Na leveza extrema de ser nada mais que eu.

Regurgitando o nada que brotava de meu interior.

Fui nada… e nada sendo, fui superior.



publicado por pseudo-poeta às 14:14 | link do post | comentar

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

Sentado á beira do abismo,

Não conseguindo ver o seu fundo.

Me dediquei com todo o meu irracionalismo,

Na criação de um novo mundo.

 

Escolhi formas, e moldei ideais.

Imaginei lugares, cidades, e recantos.

Imortalizei histórias ancestrais…

Gentes, pessoas mas não deuses ou santos.

 

Fui Deus… e esta era minha criação.

Maravilhoso, belo, e harmonioso…

O mundo de minha divagação.

 

Metrópoles organizadas, desprovidas

De fome, tristeza, criminalidade…

Pessoas que viviam, vidas…

Crianças soltas, á sua liberdade.

 

Campos verdejantes, florestas frondosas…

Rios que corriam limpos, e libertinos…

Mares calmos… mares de ondas majestosas…

Seres livres de seus destinos.

 

Raça humana purificada…

Isenta de sentimentos desleais.

A razão da vida glorificada,

Á luz de magníficos ideais.

 

…………………………………………………………………..

 

Ó utopia… estupidamente irreal…

 

Estou agora sentado,

Novamente a beira do abismo.

Desconsolado, envergonhado,

Com todo o meu irrealismo.

 

Os ideais por mim pensados,

São desprovidos de valor.

Deuses e santos são louvados,

Não as pessoas e seu fulgor.

 

Nunca serei deus, ou criador

Não há harmonia, beldade no mundo

Só, e simplesmente dor.

 

As cidades crescem desgovernadas,

Alicerçadas em ruindade…

As pessoas vivem, vidas fachadas.

E os putos… são presos á liberdade.

 

Os campos são cimentados, pavimentados…

As florestas ceifadas, queimadas…

Os rios putrificados, acorrentados…

As ondas e marés conspurcadas…

 

E o resto… os seres, são condenados,

Sem hipótese de defesa ou salvação.

Extintos, esmagados, caçados…

Á força bruta da humanização.

 

Raça humana indecente…

Gerada de sentimento interesseiro.

És para ti, a mais proeminente…

E aquela que vem sempre primeiro.



publicado por pseudo-poeta às 15:58 | link do post | comentar

Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

Caem lascas, á força do movimento,

Meticuloso de um cinzel.

Vai tomando forma o sentimento,

Esculpido por um descrente infiel.

 

A milenar rocha acinzentada,

Vestia agora um vestido de formosura.

Tinha sido embelezada, trabalhada, amada…

Escondendo porem sua amargura.

 

Traços de uma beleza monumental

Impressos naquele objecto anónimo,

Um arrojo de vontade intemporal,

Que de alegria não era sinónimo.

 

No gemido interno que a pedra exprimia…

Num exprimir sem expressão.

Lia-se a saudade, que esta oprimia,

Dos dias que não voltarão.

 

Lembrava no interior de si, mesma, em toda a sua pureza…

A condição, de não ser esculpida…

Ser livre, ser feia, desprovida de beleza….

 

Recordações corroíam sua mica, quartzo e feldspatos…

O ter como tecto o céu… a terra toda como estrado…

Eram lembranças dolorosas, naqueles dias ingratos.

 

Era agora bela, única, deslumbrante.

Mas a saudade de ser aquela pedra perdida,

Entregue aos elementos… cambaleante…

A essas saudades no seu coração dava guarida.

 

Vinham de longe, agora gentes para a ver…

Olhavam-na… entre murmúrios e contemplação.

Contemplada… nunca quis ela ser…

Nem precisava de qualquer atenção.

 

 

Num outro tempo, perdida na montanha…

No fiel acto de existir…

Prometeu a si, mesma, a façanha:

Que nunca ninguém a iria esculpir.



publicado por pseudo-poeta às 23:46 | link do post | comentar

Sábado, 1 de Outubro de 2011

Hermeticamente fechado, assim eu queria o meu sentir.

Impenetrável… mesmo que eu o quisesse abrir.

Mas o mundo… diz que não poder ser desta maneira,

Temos que amar, sofrer, sem por, a isso barreira.

 

E eu… eu amo tanto, e amo de forma vigorosa,

De forma verdadeira, e não mentirosa.

Anormalmente sou crente nestas coisas do sentir.

Mas dia após dia, vejo minha fé a ruir.

 

Confesso, nunca mostrei muita crença nos outros…

E a razão, me a, vão dando aos poucos.

Jamais ousei, mostrar simpatia por alguém,

Ao qual meu olhar, fosse ninguém.

 

Não consigo ser falsário de sentimentos,

De fingir gostar, só por momentos…

Mas ao que parece, sou uma anormalidade…

 Falsidade e perjúrio são banalidade.

 

Não vos culpo, humanidade…

A razão parece estar do vosso lado.

 

Hermeticamente fechado em minha nulidade.



publicado por pseudo-poeta às 22:28 | link do post | comentar

Tomo o caminho… por mim, tantas vezes tomado.

E me olha a humanidade, de seu púlpito dourado.

Vagueio dolorosamente, para meu interior…

Penando a cada passo, de uma fraqueza superior.

 

Desvigoro em mim mesmo, na incompreensão total de ser.

Se questiona em mim… aquele que tudo quer perceber,

Maestro devaneante, que orquestra meus pensamentos,

Este pensar irritante, nascente de meus descontentamentos.

 

Não finjo sentir o que realmente sinto…

Me desfragmento… me perco… em “eu”… labirinto.

Tenho a incerteza dolorosa, a crescer em mim sem freio…

Me contorcido, ao poder de meu devaneio.

 

Desdenho, como não posso mais desdenhar…

A fatalidade incerta que me está a avassalar,

Mas assino o armistício, e deixo-me tomar.

 

Já não volto a erguer meu braço, numa batalha perdida,

Já não volto, a tentar curar a velha ferida…

Rendo-me… e não volto a procurar saída.



publicado por pseudo-poeta às 22:26 | link do post | comentar

mais sobre mim
Fevereiro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28


posts recentes

HOJE É UM BOM DIA PARA ES...

O PÂNTANO

O MELHOR DE DOIS MALES

DESCULPEM A SINCERIDADE…

A SOMA DE TANTOS ZEROS

DE DIFÍCIL COMPREENSÃO

TRANSPLANTE CEREBRAL

CASTELOS DEVOLUTOS

O FUMO DAS CHAMINÉS

TRINDADE

A MINHA CABEÇA VS A PARED...

SOFÁ-CELA

BANALIDADE

PORTUGAL 1143-2012

IMPERFEIÇÕES

RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL

MÁSCARAS

INSIGNIFICANTE

A CULPA É DA CANETA

OBLATA

SE É ESTE O FADO, QUE POS...

TENTATIVA DE ANIQUILAÇÃO

FICAMOS SÓS

POEMA AO NADA

MORTE AOS ARTISTAS

OBJECTOS INANIMADOS

IMPOSSIBILIDADE UNIVERSAL

GANG-BANG (POEMA ECOLÓGIC...

DESMORONAMENTO

BESTA

O PALHAÇO

FALSO IDEAL

FAZ FRIO

OS OUTROS

ALMENDRA REVISITADA

POBRES MORTAIS

TENHO MEDO DE MIM

NARCÓTICO

CABISBAIXO

ANTES FOSSE UM PESADELO

INEVITAVELMENTE

1\4 DE 0

BASTA

THÁNATOS

COLISÃO FRONTAL

VEIO Á NOITE

QUE RUMO?

A IMPERATRIZ

UM DIA DEPOIS DE ONTEM

OBSERVANDO O PASSADO, O P...

arquivos

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

blogs SAPO
subscrever feeds