Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

Neste acto supremo de divagar dentro de mim, de me fugir e de me encontrar, em todos os meus pensamentos e na consternação errática de minhas acções…

Veio esta súbita vontade de escrever e divagar, ou de divagar e depois escrever sobre a divagação feita.

 

Ladeado por estas paredes, que aturam tudo aquilo que sou…

Violando a folha pura e branca de papel reciclado, onde a ímpetos faço deslizar a caneta azul, que escreve a azul, e que á azul abre sem rodeios, (como serra craniana, bem aguçada) a minha cabeça, pondo a nu o que vai cá dentro…

 

-Desisto…!

 

-Não me vou envolver em mim mesmo, outra vez…

Basta de autoconhecimento, ou coisa parecida a isso…Basta…

 

- Hoje quero divagar, e escrever sobre…

 

- Sobre a humanidade?

 

- Não, nem pensar, estou farto de a insultar, de lhe tentar dar a minha razão, só que como é próprio da humanidade, ela é humana, e sendo humana, é teimosa e não gosta de ouvir críticas, ou concelhos… e de qualquer forma ia ter por aí uma parte de mim, aquela que se dá ao trabalho de ainda questionar a humanidade…

 

- Vou escrever sobre…

 

- Sobre o quê? Porra…

 

- Sobre a morte e a vida…?

 

- Não… agora essas duas é que não…

 

Uma é o fim da outra, e a outra é coisa nenhuma. E depois lamento-me de uma, não querendo obrigatoriamente a outra… Esqueço-me que estou vivo, sabendo que não estou morto…

 

- Sobre o que então? Sobre é que vai recair esta inspiração que não tenho, ou este jeito que também não possuo de escrever?

 

- O tempo que faz, sempre foi um bom desbloqueador de conversa, mas não… ninguém divaga ou escreve sobre o tempo que faz, e para além disso, tem de se sentir o tempo que faz, para se falar nele. E eu… agora aqui, semi-deitado no sofá, ao calor do aquecedor a óleo, que é movido a energia eléctrica, não sinto o tempo que faz lá fora… logo seria errado da minha parte, escrever sobre aquilo que não sinto.

 

- Tenho sempre a hipótese de escrever e divagar e sonhar e conceber mais sonhos ainda, sobre Ela, sobre a minha musa antiga, e por tudo o que sinto por Ela…

 - Não… também não. Decidi não escrever os meus sentimentos neste texto, e não por nele, parte de mim, e se há parte de mim que não é minha é a parte de mim que é Dela. E tirando isso, tenho imensas saudades Dela, e isto, ia tornar-se num texto lamechas, e isso não quero…

Na possibilidade ínfima que Ela leia isto…

 

……………………………………………………………………………………………

 

- Veio agora a vontade de fumar…

 

-Sobre isso é que não… os cigarros e o fumo e o matar do fumo, já me deu para escrever muitas linhas, mas não é isso que pretendo agora…

 

- Vou fumar, pode ser que a divagação me leve a algum lado, e eu me esqueça de escrever sobre a divagação, e me perca para sempre em divagações, e acorde um dia, e tudo isto faça um mínimo de sentido.

 

E aí talvez as forças conjuntas do universo me digam sobre o que escrever e divagar, e divagar e escrever depois de divagação feita…



publicado por pseudo-poeta às 16:43 | link do post | comentar

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