Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

Envolto no silencio abstracto de minha consumada solidão,

Parto em renovada divagação…

Ateio fogos. Centelhas de luz, na minha razão…

Faróis, de cor berrante, de minha consternação.

 

Disponho-me sobre o sofá,

Contemplando a teia de aranha presa no candeeiro,

Talvez devesse “limpar” o candeeiro, e destruir a armadilha mortal executada

Pela aranha que nenhum mal me fez…

Não sentindo, a aranha não me ia levar mal, não me insultaria, não…

 

- Não interessa… não vou destruir a teia de aranha que por cima de mim caprichosamente ganhou forma.

- Vou deixa-la existir…

 

Existir, como eu, existo…

Por certo não me ia agradar a ideia de um outro ser, que pela simples razão de eu ser inferior a si, se levanta-se de seu cadeirão e me destruísse a armadilha que eu construí para me alimentar.

 

Todas as acções têm consequências, todos os nossos actos levam a algo…

As palavras ditas… as palavras que não foram ditas… cunham complexamente a existência de nós, seres…

 

……………………………………………………………………………………

 

Esquecendo isso…

 

Mas só isso, porque não me é possível esquecer tudo…

Porque a memória é uma consequência das minhas acções, um lembrete que se acorrenta á complexa e incompreensível “razão” de meu ser…

Fazendo de mim o que sou, fazendo de ti, o que és para mim, fazendo de vós o que sois para mim, fazendo do mundo aquilo que não é para mim.

 

Se, por um acto de magia pura, as lembranças, as recordações, que tenho dentro de mim fossem de um outro alguém, existiria a possibilidade inequívoca de um recomeço, de um nascer de novo, de criar novas ambições e novos sonhos, para depois, e logo depois, os voltar de novo a perder. Para voltarem de novo a ser consequências de minhas acções, lembranças de meus sonhos não realizados…desmantelados… como as ruínas de algo grande… como prova irrefutável de nada…

 

Descolo em rodopio, para um outro lugar…

Que não este onde teimo em me deitar,

Disparo o projéctil, de meu divagar…

Na certeza macabra de ter de voltar.

 

Da divagação incoerente, faço meu reino… um reino onde tudo acabo por dissecar.

 

Estou agora a dissecar todos os sentimentos que tenho dentro de mim, toda esta angústia, toda esta dor, todo este amor…

Impávido e sereno, na divergência absoluta e resoluta do pensamento, encontrei-me perdido em tudo o que sinto…

A angústia e a dor, são de mim personificação,

E todo este amor…as vezes penso ser vão.

 

Mas tudo é vão…

Tudo é inutilmente, inútil… com a excepção é claro da teia de aranha, para a própria aranha.

 

Se eu ao menos tivesse a minha própria teia…



publicado por pseudo-poeta às 23:07 | link do post

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