Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Inquietude nostálgica, de um outro ser que habitou no domínio que sou eu.

 

Presa num qualquer trecho de luz, perdida irremediavelmente num desconhecido de ausência forçada, no tumulto interno, inquieto da ambição contraditória, e incompreensível de nada desejar ser, se encontra a minha sombra…

A minha alma…

A outra coisa que não sou, ou que nem quero ser.

 

Ser humano perfeitamente normal, dentro da anormalidade inerente á normalidade humana, prospectando os dias e a vida, e a vida e os dias, na busca por algo superior, por algo maior… descobridor de mundos conhecidos, domador de feras afáveis, assim vejo a outra coisa que sou, sem ser a minha sombra…

 

Gozo a cru dos sentidos e dos sentimentos, sinto-os em mim, como ferros em brasa, usados por um qualquer torturador que inflige dor na busca por uma confissão…

 

E então confesso…!

 

Guia-me a percepção, (ou tentativa de tal) do nexo, do propósito, da razão, do sentido…

Tentativa vã, absolutamente falhada…

 

Dias sem sol, ou luz artificial, onde a sombra para sempre se escondeu, desaparecendo na realidade, abandonando o fantástico mas irreal império dos sonhos e das utopias.

Perdi minha sombra, minha alma, e nem atrás voltei para a procurar, não lhe estendi meu diminuto braço para a agarrar, e a queda e o desaparecimento deu-se como um acto inevitável, de consequências que suplantam, qualquer nexo, propósito, razão ou sentido… e eu, estou tal qual ela, perdido… tal qual ela, imaterializado, mesmo sendo composto de matéria. Mesmo tendo, e sendo humanidade… a antítese perfeita do que é (era) minha sombra…



publicado por pseudo-poeta às 00:11 | link do post | comentar

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