Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Não quero ser injusto, e não te dar uma explicação para nunca te vir a ter, por
isso, neste dia de sol, sem calor, onde me afundo na miséria de ser tudo o que
sou, escrevo-te esta carta.

Acredito ser indevido trazer um ser a este mundo, nem é pelo simples facto de eu próprio
o odiar, mas por ter a certeza que a tua vinda a este mundo, só te iria trazer
sofrimento, e como quero acreditar que te amaria incondicionalmente, seria mau
da minha parte expor-te a isso.

Quem mais que leia isto, vai pensar que sou estúpido, ou coisa pior… no entanto,
acredito piamente, naquilo que aqui escrevo.

Não quero que sintas o que eu sinto, que desanimes como eu, a cada dia que passa
lento… trazendo consigo um pouco mais de inconformismo, e de raiva apática desmedida.
Tenho a certeza que sendo meu, verias o mundo tal qual eu o vejo, verias nele
todos episódios que me atormentam o raciocínio, que me fustigam a integridade física
e mental…que me arrancam as vísceras, enquanto me esperneio vigorosamente…

Não me aches invejoso… estou a pensar em ti, ao não te querer.

Se a tua existência fosse uma realidade, tenho a certeza que me ias dar toda a razão,
e agradecer-me o facto de não existires…

Porem, cai em mim um pensamento que não é bem um arrependimento, mas perto disso se
torna, porque nem tudo é mau… nunca iras ter a oportunidade de conhecer as “pessoas”…
as pessoas que emprestam um tom de cor a este mundo tão negro onde definho,
essas pessoas que tornam isto suportável, que fazem avançar o meu corpo combalido,
e me fazem acreditar, que nem tudo é péssimo.

Mas não existindo não terás isso como preocupação, não existindo poupar-te-ás ao
sofrimento, mas também á alegria que por aqui passa de fugida…

 

Não existindo, serás o filho que nunca terei…  



publicado por pseudo-poeta às 16:34 | link do post

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